08 de julho de 2026
Polícia

Mortes em confrontos subiram

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

As estatísticas da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo mostram que os policiais civis e militares de Bauru mataram mais em 2003 do que no ano passado. Neste ano, incluindo a ocorrência de ontem, foram registradas cinco mortes. Em 2002, foram duas mortes provocadas por policiais.

Além disso, mais da metade de todos os homicídios cometidos neste ano por policiais civis e militares em toda a região do Departamento de Polícia Judiciária do Interior - 4 (Deinter-4) e do Comando de Policiamento do Interior - 4 (CPI-4) ocorreu em Bauru.

Segundo a Ouvidoria, nove mortes foram registradas nos 143 municípios da área, que inclui as regiões de Adamantina, Assis, Bauru, Dracena, Jaú, Lins, Marília, Ourinhos, Presidente Prudente, Tupã e Venceslau Brás. Para o sub-comandante do 4º Batalhão da PM, major Pedro Batista Lamoso, o objetivo do policial em serviço, numa situação de perigo, é evitar que pessoas sejam ameaçadas.

“O treinamento dos policiais é para tirar o marginal de combate. O policial não atira para matar, atira para remover aquele marginal da ação. Se é uma pessoa com uma faca, o policial poderia atirar na perna, para imobilizar, mas num caso como este, em que o rapaz tinha uma arma de fogo, a decisão é mais delicada”, afirma.

Lamoso enfatiza que a morte do rapaz, ontem, mostra que os policiais estão atentos, agindo em defesa da sociedade. “Foi uma ação grave, mas se ele não agisse, o outro policial ia morrer”, defende.

Na opinião do comandante da 3ª Cia da PM, capitão Wellington Luiz Venezian, o treinamento da polícia é para preservar a vida a fim de que casos assim sejam reduzidos ao máximo. “Porém, em algumas situações, não há como você ter uma atitude que não a do policial envolvido. Casos assim sempre são apurados para saber se não havia outra alternativa”, esclarece.

Segundo a Ouvidoria, policiais militares mataram 725 pessoas em 2002 em todo Estado. O número de pessoas mortas por policiais civis chega a 100. A Ouvidoria é o órgão responsável por receber denúncias, reclamações e sugestões da população. Os dados incluem ocorrências registradas como resistência seguida de morte, homicídio culposo e homicídio doloso.

No total, desde 1990, 8.422 pessoas foram mortas por policiais militares e 617 por policiais civis, em serviço ou em momentos de folga.

A Ouvidoria também registra dados do número de policiais mortos em serviço e em folga. No ano passado, entre os policiais militares, 40 foram mortos em serviço e 75, em folga. Entre os policiais civis, foram 15 mortos em serviço e 13 em folga. Ao todo, desde 1990, o órgão totaliza 1.247 mortes de policiais militares e 219 de policiais civis. Até 1999, segundo a Ouvidoria, eram computados apenas homicídios e suicídios. A partir de 2000, começaram a ser incluídas todas as mortes, incluindo acidentes e morte natural.

• Serviço

O telefone da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo para reclamações e sugestões é 0800-17-7070.