Pirajuí - Trajando roupas pretos, um grupo de universitários percorreu ontem as ruas centrais de Pirajuí (58 quilômetros a Noroeste de Bauru) e parou em frente ao prédio da prefeitura para protestar contra o fim do repasse de verbas para o custeio do transporte escolar.
Desde o mês passado, cerca de 300 alunos deixaram de receber ajuda do município para cobrir as despesas com viagem para as faculdades de Bauru, Lins e Marília.
A medida fez com que dezenas de estudantes abandonassem seus cursos por falta de condições financeiras para pagar o ônibus.
Tradicionalmente, a prefeitura sempre pagou metade das despesas dos universitários com o transporte para as cidades vizinhas.
Alegando queda na arrecadação do município, o prefeito Luiz Carlos Serrato (PTB) suspendeu o repasse do dinheiro. Com isso, os estudantes passaram a arcar com todo o custo da viagem.
Com apitos, fogos de artifício e carro de som improvisado, eles fizeram muito barulho e foram acompanhados à distância pela Polícia Militar.
De acordo com informações de funcionários, o prefeito não estava no prédio no momento do protesto. À tarde, a reportagem tentou novo contato com o prefeito, mas foi informada, mais uma vez, de que ele não estava.
Durante a manifestação, os estudantes exibiram números que contradizem com a alegação do prefeito de queda na arrecadação do município.
De acordo com demonstrativos de receita dos últimos três anos, apresentados pelos alunos, a arrecadação tem aumentado na cidade. Entre 2001 e 2002, o acréscimo foi de R$ 309 mil.
De janeiro até agosto deste ano, o aumento foi de quase R$ 500 mil em comparação com o mesmo período do ano passado. Embora não tivesse participado da manifestação, por estar trabalhando, Camila Góes, 21 anos, apoia a atitude dos estudantes.
Ela foi uma das prejudicadas pela decisão da prefeitura. Sem ter como pagar R$ 120,00 todos os meses pelo transporte até Bauru, Camila foi obrigada a cancelar sua matrícula no cursinho.
Segundo ela, a prefeitura poderia ter esperado pelo menos até o fim do ano para suspender a ajuda. “Dizer que não ia mais pagar o ônibus no meio do ano, foi o pior de tudo”, reclamou.