Os índices da Bolsa de Valores, de São Paulo demonstram que os bons tempos estão voltando. A balança comercial registra superávit nunca antes visto, irá muito além dos US$ 20 bilhões, permitindo o fechamento das contas externas sem que se recorra a novos empréstimos internacionais. Os bancos têm “papagaios internacionais” que vencem em dezembro, da ordem de US$ 2 bilhões, e não vão renová-los, mas sim liquidá-los. Setores da economia, ligados a exportação, imploram para que o dólar não caia mais, ao contrário, que suba um pouco para garantir a competitividade de seus produtos lá fora. A relação do governo brasileiro com o FMI ganha contornos dignos de Shakespeare em Hamlet, “ser ou não ser, eis a questão”, renova ou não renova o acordo com o antes satânico agente do capitalismo internacional. Nessa mesma linha, turbinada pelas trombadas entre ministros, está o “imbróglio” da Alca. Temperando isso tudo, vai uma pitadinha da fusão da Varig com a Tam e a confusão da liberação da venda da soja gaúcha, modificada transgenicamente.
As vendas do Dia das Crianças deixaram os empresários do setor desanimados. Elas foram 6,14% menores que as do ano passado. As encomendas às indústrias de papelão e cartonagem, termômetros do consumo popular, não entusiasmam ninguém. Não é preciso ser “phd” em economia e nem vidente para concluir que o Papai Noel este ano será magro. Na área industrial, o setor automobilístico recebeu um balde de chá tributário para aquecer suas vendas e vendeu, agosto sobre julho, 25% mais. Não passará de uma bolha? É uma “bolha” pergunta (desculpe o trocadilho indecente).
A representante da ONU nos visita, com o objetivo de descobrir casos de violência patrocinados pelo poder público. Na verdade nem precisaria gastar o rico dinheirinho pra isso, bastava ler, via internet, o dia-dia nos nossos jornais, ou ver os “Datena” da vida nos programas televisivos vespertinos, que saberia como continuam ruins nossos índices de segurança. A visita só serviu para o governo, aproveitando as críticas de dona Asma Jahangir à morosidade da justiça brasileira, assoprar a brasa de brigas passadas com a magistratura. Enquanto sobravam sopapos pra cá e pra lá, duas testemunhas que conversaram, dias antes, com a diplomata eram assassinadas de forma brutal. Responsabilidade de quem? Outra boa pergunta.
Esse quadro que vai do “frisson” financeiro, passa pela indefinição oficial sobre questões importantes, pela falta de poder aquisitivo e pobreza de consumo, chegando ao conformismo com a violência, merece uma análise mais profunda. Essa situação de extremos não pode ser tratada como característica do Brasil ou dos brasileiros. Ela é fruto de políticas erradas ou mal executadas.
Sabe-se, hoje, que os “saltos de desenvolvimento” cada dia estão mais difíceis, mas não impossíveis. Existem países que cresceram nos últimos anos a taxas fantásticas. China, Coréia do Sul e Rússia, em uma década cresceram entre 50% e 80% dos seus PIBs. Uma coisa se apresenta como traço comum a sustentar seus desenvolvimentos, a infraestrutura educacional. Sem investimento em educação, pesquisas científicas, cultura e tudo o mais ligado à área, não seria possível os saltos que essas nações deram. O caminho para diminuirmos os extremos é esse, o da educação. Quem sabe mais um Dia do Professor, 15 de outubro ajude a despertar a necessidade de se investir maciçamente na educação. Aí sim, estaremos investindo no futuro.
Tidei de Lima, engenheiro civil, ex-deputado e ex-prefeito de Bauru