09 de julho de 2026
Bairros

Tratar leishmaniose custa R$ 200/dia

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

O tratamento da leishmaniose visceral é caro e demorado. Num período de 30 dias, os pacientes recebem uma medicação, cuja toxidade exige monitoramento médico. Por essa razão, as pessoas acometidas pela doença em Bauru enfrentam a primeira fase do tratamento internadas.

A hospitalização custa aos cofres públicos pelo menos R$ 200,00 ao dia por paciente internado. Esse é o custo diário da hotelaria do Hospital Estadual (HE), onde seis das oito pessoas infectadas pela leishmaniose estão internadas. O mesmo valor é despendido por acompanhante.

Já a ampola do medicamento aplicado, cedido pela Comissão de Medicamentos Básicos da Diretoria Regional de Saúde (DIR-10), custa R$ 3,00 a dose. Cerca de três delas são usadas em cada tratamento. “Não é barato. Num tratamento alternativo (particular), o paciente vai pagar muito mais pela aplicação do medicamento, que não é o mesmo usado pela rede pública”, explica o infectologista do HE, Fernando Monti.

De acordo com ele, a recomendação por internação é uma cautela adotada no Município. “No Nordeste e em regiões de Minas Gerais (MG), onde a incidência da doença é maior, talvez o tratamento não seja realizado em regime de internação”, informa o infectologista.

Segundo ele, se o volume de pacientes aumentar muito, as hospitalizações serão restritas a casos mais graves. A informação foi confirmada pelo diretor da DIR-10, Affonso Viviani, e pelo coordenador da área médica do HE, Antero Frederico Macedo Miranda.

Ambos sustentam os valores e admitiram que a droga empregada no tratamento pode provocar efeitos colaterais, como arritmia cardíaca. Por essa razão, a observação de um especialista da área de saúde é imprescindível e a hospitalização tem sido recomendada na primeira fase do tratamento, período estimado em 15 dias. Porém, quando o paciente recebe alta, assume o compromisso de retornar ao hospital para receber a medicação, cuja toxidade também pode provocar insuficiência renal aguda.

A fim de evitar problemas de qualquer natureza, sempre que o remédio (Antimoniato de Meglumina) é aplicado, as reações do paciente são avaliadas. Um monitor cardíaco, por exemplo, é ligado ao corpo para acompanhar as respostas da pessoa do momento em que ela recebe a medicação até meia hora após a administração da droga.

“Nas crianças que já chegam com redução de gordura, massa muscular atrofiada e sistema imunológico debilitado, o tratamento é de alto risco”, alerta o pediatra e coordenador da área médica do Hospital Estadual (HE) de Bauru, Antero Frederico Macedo de Miranda.

Os seis pacientes tratados pelo HE recebem a dose do medicamento diariamente.

Medicamento

Conforme explica Fernando Monti, o remédio pode ser aplicado no interior da veia (intravenal) ou na massa muscular. “A dose aplicada é calculada de acordo com o peso do paciente, que passa por exames antes de receber a medicação”, explica Monti.

De acordo com ele, Bauru tem adotado os cuidados médicos preconizados pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria do Estado da Saúde, embora reitere que a internação não é uma medida obrigatória. “Por enquanto, os recursos disponíveis permitem a indicação de hospitalização. Além disso, como a imunidade dos pacientes fica fragilizada com a doença, em alguns casos a internação torna-se inquestionável”, esclarece.

Quando o comprometimento imunológico provocado pela doença é muito grande, os pacientes são encaminhados para a unidade de isolamento do hospital. Dois deles, uma criança e um adolescente, foram conduzidos para essa ala do hospital.

“Por enquanto, as respostas (dos pacientes) têm sido boas por conta da precocidade”, enfatiza Anterno de Miranda. Porém, os pacientes serão acompanhados periodicamente por pelo menos mais seis meses, porque normalmente a reativação (retorno da moléstia) acontece preferencialmente nesse período, enfatiza Monti, para quem o conceito de cura não é absoluto em medicina.

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Morte

A leishmaniose pode matar, caso a pessoa não se submeta ao tratamento médico. Como ela atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provoca um processo infeccioso, além de anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente.

“Recebendo a medicação, em 30 dias o tamanho do baço, por exemplo, diminui bem. A leishmaniose viceral é uma doença grave porque acomete órgãos vitais e, se não for tratada, evolui progressivamente”, informa o médico infectologista do Hospital Estadual, Fernando Monti.

Ainda segundo ele, o período de incubação da doença varia de uma semana a 24 meses. Em caso de suspeita, a pessoa deve procurar imediatamente um serviço público de saúde, já que a cidade enfrenta uma epidemia da doença. Até o ano passado, o município não havia registrado casos de leishmaniose visceral em humanos.

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Bauru não tem caso cutâneo

A leishmaniose tegumentar americana, que afeta somente a pele, não foi registrada neste ano em Bauru pela Direção Regional de Saúde (DIR-10).

A doença, também conhecida como úlcera de Bauru, é transmitida ao homem pelo mesmo mosquito palha, porém é provocada por outro tipo de protozoário, que não coloca em risco a vida da pessoa contaminada ou do cão infectado.

Nos dois casos, a moléstia se manifesta em forma de lesão, que inicialmente pode aparentar uma espinha e, se não for tratada, pode progredir e resultar numa úlcera. De acordo com o dermatologista do Instituto Lauro de Souza Lima, Somei Ura, a doença normalmente é assintomática, mas em alguns casos a picada pode coçar.

De acordo com ele, a doença não provoca deformidades no paciente, que só enfrenta tratamentos mutilantes se houver complicações decorrentes.

“O tratamento é o mesmo utilizado em caso de leishmaniose visceral”, conclui o médico.

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