10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um salto pelo mundo


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O menino Jesse, se pudesse escolher, não gostaria de ter nascido exatamente no Alabama, no Sul dos Estados Unidos. É verdade que ele sempre achou o Alabama um lugar agradável, com seus campos branquinhos por causa das plantações de algodão. Mas o problema, para Jesse e outras crianças negras como ele, era o preconceito racial. Isso o deixava muito triste, porque não podia conviver com os garotos brancos e precisava estudar em outras escolas. Hoje em dia isso existe em proporções bem menores. No início do século, porém, elas eram mais complicadas. E tudo isso fez de Jesse um garoto revoltado, que sonhava com um mundo normal, sem separação entre os brancos e os pretos.

Às vezes, correndo entre os algodoeiros próximos à cidade de Danville, onde vivia, ele ficava pensando se poderia fazer alguma coisa para mudar essa situação. Para mostrar, enfim, que não existia uma raça melhor do que as outras. E ele teve essa oportunidade nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, quando os nazistas pretendiam provar sua superioridade em relação aos demais povos do mundo. Grande atleta, Jesse começara a se tornar famoso um ano antes, nos Estados Unidos, durante uma competição universitária. Sem que quase ninguém o conhecesse, num mesmo dia, ele bateu ou igualou seis recordes mundiais. Em Berlim, afinal, ele destruiu as teorias racistas ganhando quatro medalhas de ouro. Uma delas - que fez o ditador nazista Adolf Hitler abandonar irritado o estádio - premiou sua façanha mais espetacular: deu um salto em distância de 8,06 metros. Durante 24 anos, ninguém conseguiu igualar a façanha de Jesse Owens, o menino do Alabama que provou que não existe diferença entre as raças humanas. Saudações.

Leonildo Padovini - RG 3.991.997