“Certa vez, fomos pescar no famoso rio Batalha, lá na ponte que liga Nogueira com Duartina. Eu, Álvaro, que lhes conta esta história, meu finado sogro senhor Elesbão, antigo funcionário do DER, junto com seu inseparável amigo Armandão e o famoso cunhado chumbado; só pelo nome do cunhado já podem imaginar o que iria acontecer.
Num belo sábado pela manhã, carro abastecido, trabalha pronta e vamos fazer as compras, pois iríamos pousar na beira do rio. Passamos no mercado para comprar carne, pinga, cervejas e demais aperitivos.
Para nosso azar, era época do ‘nosso’ presidente Sarney, se não me falha a memória, 1986. Carne bovina nem pensar! De vez enquando achava algumas lingüiças à base de soja e asinhas de frango.
Carga toda dentro do carro, pegamos gelo e partimos. Chegamos em Tibiriçá, isso já era quase 9 horas da manhã, aí foi a nossa vez de abastecer. Vai uma cerveja, uma pinga com limão, outra cerveja, outra pinga e assim foram umas par delas. Para ter certeza que não iria faltar pinga, levamos mais um litro, mas o litro que estava aberto ficou no banco traseiro, onde o senhor Armandão e o Chumbado tomaram mais uns goles e assim chegaram chapados na beira do rio.
Em fim, nós na beira do famoso Batalha! O senhor Armandão quase cai dentro do rio de uma ponte inacabada, sem guardas e sem proteção alguma. Mas vamos à história, que muito interessa.
Pescamos a tarde toda, à noitinha, fomos tentar pegar uns bagrinhos num grande poção a uns 100m abaixo da ponte. Pega um aqui, outro ali, mais um acolá, depois de ter pego mais ou menos uns 15 bigodudos, foi a vez do famoso cunhado Chumbado pegar uma coisa diferente, pois foi um canivete, que o sogro Estevão tinha perdido há quase um ano.
Coincidência ou não, o canivete foi pego pela sua alça e depois de muita conferência sobre o objeto fisgado, o material ainda estava intacto e para a garantia de todos que conheciam, tinha a marca de uma loja de material de construção que é de outro genro do sogro.
Quando o sogro morreu, o cunhado Chumbado herdou toda a tralha de pesca do velho e continua com ele até hoje, pois o sogro gostava de um cigarrinho de palha."
Álvaro Braitt tentando ser um pescador e contador sempre de verdades.