O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, vem tentando alertar crianças, adolescentes e seus pais para a importância da vacinação contra a hepatite B. Nas últimas semanas, escolas municipais, estaduais e particulares receberam folhetos de orientação com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal para a doença, que mata cerca de 2 milhões de pessoas por ano no mundo todo.
Existem vários tipos de hepatite, cada uma causada por um vírus diferente, provocando inflamação no fígado. Entre os tipos mais comuns, estão a hepatite A, hepatite B e hepatite C. O fígado é o orgão responsável pela neutralização de grande parte das substâncias tóxicas que o organismo ingere, como o álcool, além de realizar síntese de proteínas e transformação do glicogênio em glicose.
Apesar de poder ter origem em vírus diferentes, os sintomas da hepatite são praticamente os mesmos. A pessoa começa a sentir mal-estar, cansaço, sintomas semelhantes aos da gripe. Também apresenta fundo dos olhos e pele amarelados, urina escura, dor na região abaixo das costelas, náuseas e vômitos.
A chefe da seção de imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Rosemeire Strigatto Vicentim, explica que o vírus da hepatite é um dos mais resistentes e a desinformação da população sobre a doença é que causa uma baixa cobertura vacinal na cidade. “As pessoas não tomam vacina porque não conhecem a doença, nem ficam sabendo que a vacinação para crianças e adolescentes é gratuita”, diz.
A diretora do DSC, Maria Helena Abreu, comenta que os adolescentes são o alvo da vacinação pois são muito expostos ao vírus e à contaminação. “Esta é a idade em que começa a vida sexual. O sexo sem proteção, o compartilhamento de agulhas no uso de drogas, ou mesmo furar a orelha, colocar um piercing ou fazer uma tatuagem, podem ser maneiras de contrair hepatite”, relata.
De acordo com dados do DSC, foram registrados no ano passado quatro casos de hepatite A, sete de hepatite B, dois de hepatite C e 15 de hepatite não-esclarecida.
A vacina é aplicada gratuitamente nas unidades de saúde, em crianças e adolescentes de até 19 anos. Esta vacina protege contra a hepatite B, um dos tipos mais graves da doença. São três aplicações, com a segunda dose aplicada um mês após a primeira, e a terceira, seis meses depois da primeira dose. Adolescentes menores de 18 anos devem estar acompanhados de um responsável ou levar uma autorização para tomar a vacina, além da carterinha de vacinação.
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Tipos da doença
• Hepatite A: É a forma mais comum da doença, provocada por contato com alimento ou água contaminada com o vírus. Normalmente, a pessoa passa de duas a seis semanas até que os sintomas comecem a aparecer. Este tipo cura-se facilmente, sem deixar seqüelas. A única forma de prevenção é evitar a ingestão de água ou alimentos contaminados.
• Hepatite B: Transmitida através de agulhas contaminadas e não esterilizadas, relações sexuais e contato direto com o sangue de uma pessoa contaminada. Os primeiros sintomas podem demorar até seis meses para aparecer e 10% dos pacientes desenvolvem hepatite crônica ativa, com fases de melhora e piora, ou tornam-se portadores crônicos da doença, sem apresentação dos sintomas mas carregando o vírus. Este tipo também pode ser transmitido da mãe para o bebê durante a gravidez e o parto.
• Hepatite C: É uma forma menos freqüente, com maneiras de contaminação similares à hepatite B, inclusive da mãe para o bebê. Cerca de 50% dos portadores de hepatite C acabam se tornando doentes crônicos, com períodos de melhora e piora, também com casos de cirrose e lesões no fígado.