Duas faixas inéditas do grupo bauruense Mercado de Peixe fazem parte do CD “Moda Nova Caipira Pop”, da Obi Music, que chegou às lojas no último fim de semana. É a primeira vez que a banda local, formada em 1996, tem composições suas lançadas em um trabalho de distribuição nacional.
O CD traz, além das músicas do Mercado, “Pau pra Toda Obra” e “Besouro Negro”, canções dos grupos Caboclada e Matuto Moderno, de São Paulo; Dioni Zica, de Araraquara; Fulano de Tal, de São Carlos e Sacicrioulo, de Campinas, somando 12 faixas no total (duas para cada um).
De acordo com Fabiano Alcântara, baixista do Mercado, a intenção da gravadora era juntar no mesmo disco bandas que pesquisam a cultura popular do Sudeste brasileiro e reproduzem isso no seu som.
Assim, o CD é um caldeirão de sonoridades que vão dos ritmos nacionais regionalistas às batidas eletrônicas. A seleção é boa para o músico, mas ainda faltam alguns nomes como a banda Senhor Preto Velho, por exemplo.
O grupo bauruense está de certa forma presente na capa do CD, que teve o projeto gráfico realizado por Emerson Vanderlei, o Ermão, percussionista da banda, que também tem Juninho (vocal), Paulo Pires (bateria), Fela (percussão e vocais), Fernando TRZ (teclados, sanfona e vocais) e Ricardo Polettini (guitarras).
As duas faixas do Mercado incluídas no disco foram gravadas especialmente para a coletânea, já que o grupo deve lançar até o final do ano seu primeiro CD por outra gravadora. “Vai ser o ‘Roça Elétrica’ mas com os vocais feitos novamente, uma nova versão de ‘Brasil Novo’ e a música ‘Fogo no Canavial’”, explica Fabiano, se referindo ao CD que o grupo lançou pelo próprio selo, Samacô Produsons, de forma independente no início deste ano.
“Vai ser a primeira vez que fazemos um disco cheio para uma gravadora e ele vai estar em todo Brasil”, diz. Disco cheio é como as gravadoras se referem ao produto que contém músicas de um só artista ou grupo. Assim, quando sair, “Roça Elétrica” será oficialmente o segundo disco da banda por uma gravadora.
“O lançamento desse CD e brevemente do ‘Roça’ marca um outro patamar na história da banda”, avalia Ermão. Fabiano concorda. “É a chegada ao nível profissional mesmo”, diz, lembrando que a banda nasceu e se fez na cidade. “É raro um grupo de Bauru conseguir ter o seu trabalho divulgado por uma gravadora”.