08 de julho de 2026
JC Criança

Comida também tem história

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 8 min

A gente está acostumado com uma grande variedade de sabores, doces e salgados no nosso dia a dia. Porém, é curioso e bastante saboroso viajar um pouquinho para conhecer a origem dos alimentos. Um exemplo prático está nas mesas brasileiras logo pela manhã. O nome já diz a origem: pão francês. O pãozinho já está tão incorporado no cardápio do brasileiros, que nem dá para imaginar que chegou em nosso País há pouco mais de 200 anos.

O Brasil é um país jovem, colonizado há 500 anos por várias nações, como Portugal, Itália, Alemanha, Inglaterra, França, Japão entre outros países e povos como os árabes. Isso foi bastante positivo na valorização da nossa culinária, que recebeu todas essas influências e ainda contribuiu com o que já existia por aqui: a culinária indígena.

Imagina só o que aconteceu quando as caravelas portuguesas aportaram em terras brasileiras e encontraram uma imensa variedade de frutas e a população indígena. “Os portugueses conheceram com os índios a mandioca, o milho, os produtos da caça, da pesca e as nossas frutas. Os índios nem usavam sal e consumiam o peixe cru”, explica a nutricionista Maria Cecília Rocha Lima, 41 anos, professora do curso de nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Em alguns pratos, a gente percebe a origem em seu nome, outros pela popularidade e há aqueles que causam a maior confusão com relação à criação. O macarrão, por exemplo, foi popularizado pelos italianos, mas sua origem é chinesa. Cecília conta também a história do panetone: “No século 17, um padeiro italiano chamado Toni preparou um pão com uma massa doce e leve. Ele acrescentou frutas e passas e começou a vender pela cidade. Todos começaram a chamar de ‘pane di Toni’ (pão do Toni), foi quando nasceu o panetone!”

Por que saber tudo isso?

No Brasil, a colonização das regiões por povos diferentes favoreceu também a criação de novos pratos. “O feijão tropeiro, por exemplo, foi criado com as tropas que se enveredavam pelo País. O cuscuz também. A forma como os tropeiros levavam a farinha, o fubá, os ingredientes a viagem fazia com que fossem fermentando, umedecendo, e naturalmente transformou-se no cuscuz.”

A culinária baiana recebeu do povo africano o azeite-de-dendê, tempero usado na maioria de seus pratos. Já as culinárias dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro sofreram a influência das colônias italianas, alemãs, japonesas, árabes e norte-americanas. O Norte do Brasil valoriza a cultura indígena, com o uso de peixes da região como o pirarucu e o tambaqui, as frutas locais murici, pupunha, graviola, mangaba e carambola.

O Brasil é tão rico em frutas que cada região possui sorvetes de variedades diferentes. Em viagens turísticas, aproveite para experimentar uma fruta de outro Estado e conheça outros sabores.

Em Goiás é muito popular o pequi, uma fruta bastante saborosa que também é usada no famoso arroz com pequi, prato tradicional da região.

E as nossas idéias?

Nossa, tem tanta contribuição brasileira na culinária! Só a variedade de pratos doces e salgados feitos com milho já aumenta a lista. Lembra da pamonha, do cural e da canjica? Aliás, a canjica muda de nome de acordo com o Estado: canjica em São Paulo, mungunzá em Belém e Paraíba, chá-de-burro no Ceará, dá para acreditar? É que o nosso País reúne vários outros “paiseszinhos” - podemos dizer assim? - e sua diversidade cultural.

E o pão de queijo? O mineiro aproveitou o polvilho, o leite e fez um pãozinho muito saboroso, que hoje é consumido em vários Estados.

Contribuições

Apesar da diversidade brasileira, todos ficam felizes com as contribuições de outros países. Já pensou o que seria do brasileiro sem o sanduíche, a batata frita e a popular pizza? Cecília conta que o sanduíche nasceu na Inglaterra, porque um lorde viciado em jogo pedia para servirem os ingredientes separados e o pão. “Ele colocava tudo dentro do pão e continuava jogando”, explica. A batata é um alimento usado mundialmente, normalmente assada. “Quem fritou a batata foram os norte-americanos.”

O chefe de cozinha italiana Jefferson Previero, 40 anos, mais conhecido como Jeff, da Pizzaria Fratello, conta que as massas fazem a preferência da criançada e com ele não é diferente. “Comecei aos 13 anos, quando fiz um bolo de banana e não parei mais.” Ele conta que apesar da origem da pizza ser italiana, foram os brasileiros que deram o “toque especial” e a diversidade em sabores. Os EUA e o Brasil são os países que mais consomem pizza no mundo.

Jeff conta que o contato com crianças fez com que observasse suas preferências e criasse pratos fáceis e agradáveis. “Elas gostam muito de churrasco e massa, mas não deve ser muito incrementado. Gostam de molho de tomate e quatro-queijos. Já a pizza preferida da criançada é a de frango, em seguida as de queijo e calabresa”, comenta. Ele também faz um quadro no programa Sabor Brasil, o Dicas do Churrasco. “O churrasco substituiu a macarronada do domingo. No Interior, você caminha pelas ruas e sente o cheiro de churrasco. Não existe uma casa que não tenha uma churrasqueira”, comenta. “O nosso churrasco é mais gostoso, diferente do norte-americano, que faz com hambúrguer”, finaliza.

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• Chocolate - Os astecas faziam com as favas de cacau um líquido escuro chamado tchocolatl. Ficou conhecido quando, em 1502, a esquadra de Colombo chegou à ilha de Guanaja, habitada por astecas.

• Pizzas - A história da pizza começou há 6 mil anos com os egípcios. Outros afirmam que os pioneiros foram os gregos, que faziam a massa à base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e as assavam em tijolos quentes. E a novidade foi para a península da Etrúria, na Itália.

Era o alimento de pobres do Sul da Itália. Mas foram os napolitanos que passaram a acrescentar molho de tomate e orégano à massa, que era dobrada ao meio e comida como sanduíche. Quem podia, colocava queijo, lingüiça ou ovos por cima.

• Mandioca - Quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, a mandioca já era um dos principais alimentos de nossos índios. Originária do Nordeste e das regiões centrais do País, o Brasil é seu maior produtor mundial.

Existem dois tipos de mandioca: a doce, também chamada de aipim ou macaxeira, usada na alimentação; e a amarga ou brava, usada na produção de polvilho ou farinha. Veja de onde vieram outras raízes e tubérculos: a batata-doce era cultivada no Peru e no México antes da chegada de Cristóvão Colombo; o inhame era plantado no Egito há mais de 4 mil anos; a mandioquinha, que não é parente da mandioca e sim da cenoura, veio das regiões andinas, o mesmo berço das batatas; o cará existia no Brasil na época do descobrimento e é originário da América Central.

• Pipoca - A origem exata é desconhecida. O que se sabe é que, muito antes de Colombo descobrir a América, os índios do norte do continente já comiam pipoca. Eles começaram a fazê-lo com a espiga inteira colocada num espeto e levada ao fogo. Depois, passaram a jogar os grãos soltos diretamente em fogo baixo. Havia um terceiro método, mais sofisticado, que consistia em cozinhar o milho numa panela de barro cheia de areia quente. O resultado é sempre o mesmo: os grãos de milho explodem. Isso acontece porque o grão contém água em seu interior.

• Trigo - Desde os primórdios, o homem colhia o trigo. Mas por volta de 9000 a.C. descobriu que, se optasse por plantar alguns alimentos que colhia em vez de ficar atrás da extração de todos os que tinham o costume de consumir, poderia se estabelecer e esperar pelos grãos plantados.

Fonte: site www.guiadoscuriosos.com.br

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Nutriamigos: turma que ensina a comer

Nutriamigos é um programa de educação nutricional especialmente desenvolvido para apoiar profissionais de nutrição e saúde que trabalham com o público infantil. O projeto foi idealizado pela nutricionista Suzana Janson Franciscato em 1999. Ela percebeu que era muito cansativo para as crianças ouvir explicações do profissional durante uma hora de consulta.

“No começo, eles até assimilavam alguma coisa, mas depois desistiram. Então, eu precisava criar uma ferramenta animada e divertida de ensinar nutrição para esse público infantil e surgiram os Nutriamigos - quatro personagens que representam os principais grupos alimentares: carboidratos, proteínas, gorduras e vitaminas, fibras e sais minerais”, conta.

Os personagens foram caracterizados por Carlos Alberto Gardin, figurinista responsável por projetos infantis como Castelo Rá-Tim-Bum, Glub-Glub e Mundo da Lua. Então, foram produzidos vídeos com cada um dos personagens que explicam o que é aquele grupo de alimentos, qual a importância dele para a saúde e quais alimentos engloba. (Da Redação)

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Receitinha do Jeff

É um molho branco para colocar no macarrão. Você vai usar um copo de requeijão cremoso, meio copo de leite, um pouquinho de manteiga e presunto de peru defumando cortado. Coloque a manteiga na panela e frite o peito de peru. Acrescente o leite e deixe ferver. Depois coloque o requeijão e esquente bem, até ficar um creme. Está pronto para pôr no macarrão. Ah! Não esqueça: peça sempre a ajuda de um adulto para mexer na cozinha, viu!