11 de julho de 2026
Articulistas

As contradições da política econômica


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Existe uma grande euforia com a política econômica do governo Lula nos mercados financeiros. Aqui e no Exterior. Outro dia, em almoço com executivos de um grande banco brasileiro, ouvi alguém desabafar: “Este governo é muito melhor do que o de Fernando Henrique. Se soubesse disto já teria votado em Lula nas eleições de 1998!”.

Este sentimento de entusiasmo parece-me ter duas motivações principais. A primeira, correta e compreensível, deriva da sensação de alívio de ver um partido que sempre defendeu uma gestão da economia baseada em valores ultrapassados e em uma postura voluntarista, adotar o caminho do realismo pragmático.

Neste sentido, a presença do ministro Palocci, político e membro do “politburo” que comanda o PT, tem sido de fundamental importância. Homem tranqüilo e sereno, cercou-se de um grupo de economistas que comungam com os mesmos valores e visão de mundo que prevaleceram nos anos FHC. Sabedor da existência de membros importantes do governo que defendem uma outra trilha ideológica para o País, ele faz uma marcação homem a homem para evitar desvios do caminho traçado pelo núcleo duro do governo.

A segunda fonte de entusiasmo dos mercados é menos segura e pode vir a ser uma armadilha muito perigosa. Ela parte do princípio que o governo Lula abandonou sua histórica concepção de Estado e da função do partido na sociedade brasileira e decidiu seguir o caminho de nossos partidos ditos burgueses. Esta mudança me parece ser inviável, pois iria contra os valores ideológicos básicos do PT e de sua missão de refundar a sociedade brasileira em termos sociais mais justos e com o poder em mãos dos descamisados.

Este projeto do PT ainda se mantém, apesar de algumas decepções com o pragmatismo deste primeiro ano do governo Lula. O valor histórico da defesa de uma sociedade mais justa é o cimento que sempre uniu intelectuais, igreja católica, movimentos sociais e lideranças sindicais. Da mesma forma, faz parte das cláusulas pétreas do PT a constatação de que, sem uma grande mudança na dinâmica do poder político, não será possível vencer as defesas criadas pelas elites brasileiras, ao longo das ultimas décadas, para defender seus privilégios.

Um dos pontos principais da estratégia petista para conseguir seus objetivos é o fortalecimento do Estado brasileiro e de seus instrumentos de ação sobre a sociedade. Como aceitar, portanto, um dos princípios básicos do liberalismo econômico que é a existência de um estado mínimo e sem intervenção na dinâmica econômica da sociedade?

Portanto, para viabilizar o sentimento de euforia dos mercados é preciso aceitar a idéia de que o PT vai jogar fora não apenas algumas bandeiras políticas dos últimos anos - bravatas segundo nosso presidente - mas, também, romper com os princípios básicos de sua fundação como partido político. (O autor, Luiz Carlos Mendonça de Barros, é economista, publicador do site e da revista Primeira Leitura, ex-ministro das Comunic)