A busca por grandes empresas que queiram se instalar nos municípios de pequeno porte é uma ânsia que atinge grande parte dos administradores. “O que eles precisam saber é que não basta colocar uma placa no distrito industrial e ficar esperando as empresas chegarem. É preciso possuir diferencial para atrair grandes empresas”, explica o e conomista Reinaldo Cafeo.
Segundo ele, as grandes empresas, antes de se instalarem, fazem uma pesquisa. “Elas querem saber se há creches adequadas para que seus funcionários deixem seus filhos. Se as escolas contemplam qualidade, se o trânsito é tranqüilo e se custo de vida é alto.”
Até o preço do aluguel na cidade influencia para a empresa. “O preço dos imóveis, a mensalidade escolar e o valor do transporte coletivo são considerados, uma vez que esses custos serão acoplados aos seus produtos.”
Para ele, a dimensão de atração ultrapassa o local estratégico para poder instalar a empresa. “O empresário pensa: tem mão-de-obra. Bauru tem 21 mil alunos matriculados, fora cursos de pós e especializações. Em tese, tem como abastecer de mão-de-obra. Mas se vier gente de fora, vai ter condições de ter um padrão de vida legal? É isso que os empresários querem saber.”
Cafeo enfatiza que a instalação de grandes empresas na cidade nem sempre é a solução. “O município não pode ficar refém de uma única atividade. O administrador tem de criar alternativas diversas.”
Exemplificando, o economista cita Lençóis Paulista. “Lá se observa que os moradores não estão reféns das usinas. Se houver outra crise no setor, a cidade vai se manter sólida porque apostou em outros setores, além do açúcar.”
Já com a cidade de Gália aconteceu o oposto. “Ela vivia em torno do bicho-da-seda. A indústria passou por várias crises e se estagnou. O município trilhou pelo mesmo caminho.”
Na opinião dele, a cidade não se modernizou e não criou alternativas para os jovens, que migraram para centros urbanos maiores. “A nova geração procura estudo e sucesso profissional. Quando percebe que não vai atingir seus objetivos na cidade natal, vai para as cidades pólos e perde o vínculo familiar.”