O economista Reinaldo Cafeo aposta na visão regional para o progresso dos centros de referência e dos municípios menores. “É interessante que os administradores tenham uma visão global para o desenvolvimento das cidades pólos e para as menores. Todos podem crescem juntos.”
Para ele, os administradores deveriam pesquisar o que falta na região ao invés de ficar buscando somente a instalação de empresas. “Na região, não temos um centro de convenções com capacidade para mais de 1.000 pessoas para atrair o turismo de negócio.”
O turismo de negócio, na opinião dele, poderia alavancar um município. “São Paulo é considerada a maior cidade turística do Brasil. A Bahia está em 4.º lugar. O turismo de negócio dá mais dinheiro que o turismo de lazer.”
A explicação, segundo ele, é que nos grandes eventos de negócios quem banca as despesas, normalmente, são as empresas. “O dinheiro que a pessoa leva na viagem é para gastar na cidade, movimentando o comércio local. É uma cadeia.”
O aeroporto internacional a ser instalado em Arealva é outro potencial a ser explorado. “Ele vai movimentar Bauru e região. É um importante ponto de carga e descarga. As forças políticas precisam ficar atentas porque é preciso melhorar as rodovias e os acessos.”
Para ele, as cidades da região não estão preparadas para o progresso que vai ser gerado com a instalação do aeroporto. “As cidades não estão preparadas do ponto de vista da infra-estrutura. É evidente que se houver uma geração de riqueza, o aumento da arrecadação no município, talvez elas se preparem”, arrisca o economista.
Cafeo acredita que se combinar a ferrovia, que está em discussão, a hidrovia e as rodovias, com a possibilidade de Bauru ter saída para todas as estradas, com o aeroporto, vai ser um grande centro de cargas. “Haverá um ‘boom’ de desenvolvimento.”
A escassez de lideranças políticas é que retarda a visão macro da situação. “Se eu fosse um administrador, não estaria preocupado se em Pederneiras começasse abrir várias empresas e não em Bauru. Eu tentaria atrair os empresários e os funcionários com atividades que lá não tem, por exemplo, bons restaurantes, opções de lazer etc.”
Esse contingente que estiver trabalhando em Pederneiras pode ser um incremento no comércio de Bauru. “Com dinheiro no bolso, eles poderiam vir para a nossa cidade fazer compras e movimentar o comércio local. É assim que os administradores de municípios deveriam pensar.”
A questão dos pedágios é outra preocupação do economista. “As forças políticas deveriam lutar para amenizar a instalação dos pedágios. É muito caro ir para Jaú, por exemplo. São R$ 10,00 para ir e vir. A duplicação era necessária, sem dúvida, mas a da Bauru/Marília, ainda que demorada, será feita com recursos do governo do Estado. Fruto de um trabalho político.”
Para ele, enquanto os prefeitos não tiverem uma convergência de interesses, não haverá sucesso nas cidades da região. “A regionalização fortaleceria todos. Serve não só para o desenvolvimento e crescimento populacional, mas para os times de futebol, festa de carnaval.”
Ele acha que muitos prefeitos estão acomodados. “Eles têm de buscar as experiências que deram certo. Falta motivação. Dado o esgotamento da Capital, a população migrou para Campinas, Ribeirão Preto, como essas cidades apresentaram índice de violência, no mapeamento da riqueza, a ‘bola’ da vez são as cidades localizadas deste lado do rio Tietê.”
O atual prefeito de Avaí, Reinaldo Rocha, é um adepto dessa idéia. “Eu acredito que se os administradores tivessem uma visão global, poderíamos agir em conjunto e obter um resultado mais satisfatório. Já fizemos algumas tentativas, chegamos a nos reunir, mas na prática, pouco foi feito.”