Entre as anestesias de bloqueio, as mais conhecidas são a raquianestesia e a peridural. Até há bem pouco tempo, a “raqui” era muito temida por ser aplicada na medula e por seus efeitos colaterais. Hoje, ela é considerada um dos procedimentos anestésicos mais seguros, além de usar uma quantidade bem menor de medicamentos.
O anestesiologista José Carlos Bonjorno Júnior compara a medula óssea a um vidro de palmito. “Imagine que o palmito seja a medula, a água seja o líquor que a protege e o vidro seja a meninge - uma película que retém o líquor”, sugere.
Segundo ele, na técnica de peridural, o anestésico é injetado perto da meninge, que vai absorver a droga e neutralizar os impulsos nervosos. Na raquianestesia, o médico perfura a meninge e injeta a substância diretamente no líquor.
O médico comenta que a má fama da raqui surgiu porque, antigamente, depois do procedimento, um pouco do líquor vazava pela perfuração, diminuindo a pressão no interior das vértebras. Ao acordar, bastava um movimento de cabeça para que essa alteração na pressão causasse uma forte cefaléia.
“Hoje, usamos uma agulha tão fina que precisamos colocá-la dentro de outra agulha para chegar à meninge Ela tem uma ponta especial que faz um furinho mínimo e evita a perda do líquor. Conseqüentemente, o paciente não tem a cefaléia. O índice de cefaléias pós-raqui hoje é de 0,2%”, afirma.
O médico salienta que, hoje, a raqui é considerada mais segura. “A peridural usa 10 a 20 vezes mais anestésicos que a raqui e tem um índice de falhas e complicações bem maior. Mas, ainda assim, a escolha entre uma e outra vai depender da avaliação que o médico faz do paciente, pois há casos em que a raqui é contra-indicada”, observa.
Bonjorno Júnior salienta que, diante de toda essa segurança e aprimoramento, o medo que se tem da anestesia torna-se infundado. Dentre todos os procedimentos da medicina, o anestésico está entre os mais seguros atualmente.
“Todas essas informações são passadas para o paciente durante a avaliação pré-anestésica. E é importante que a gente consiga diminuir a ansiedade, porque o paciente ansioso acelera o metabolismo. O ideal para uma cirurgia é desacelerar o metabolismo e esta é uma das funções da anestesia”, encerra.