10 de julho de 2026
Regional

Matão tem uma viatura policial para cada 18,5 mil moradores

Por Cristiane Gercina | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

Matão - A Polícia Civil de Matão (150 quilômetros a Nordeste de Bauru) tem uma viatura para cada grupo de 18,5 mil habitantes e um investigador para 9 mil pessoas. Ao todo são oito veículos à disposição das três delegacias - Delegacia do Município (DM), 1º Distrito Policial (DP) e Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Mas dois servem exclusivamente à cadeia e outros dois estão fora de uso porque quebraram e não há previsão para conserto.

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) mostram que crimes envolvendo a comercialização de entorpecentes, tráfico, porte e apreensão tiveram um crescimento de 31% entre os primeiros semestres de 2002 e 2003, em Matão.

Entre janeiro e junho de 2002 foram registradas 60 ocorrências desse tipo, enquanto no mesmo período deste ano, os números subiram para 87.

O crime de maior incidência na cidade é o furto, mas para a Polícia Civil, o que mais preocupa é a forma como o tráfico de drogas vem se alastrando nos últimos anos.

Calcula-se que Matão tenha hoje mais de 50 pontos de venda de drogas. Mensalmente, registram-se cerca de 260 ocorrências nas delegacias, das quais pelo menos oito estão relacionadas a drogas.

O ideal, para os policiais, seria trabalhar com pelo menos 20 investigadores. A cidade, no entanto, conta com apenas oito investigadores.

Atualmente, apenas 30% dos delitos de autoria desconhecida são resolvidos pela Polícia Civil, mas acredita-se que, se houvesse uma melhor estrutura, mais de 60% dos casos seriam solucionados.

Dificuldade

Com apenas duas viaturas e três investigadores para atender cerca de 65% da população da cidade, a situação de maior dificuldade é a do 1º Distrito Policial (DP), que atende os bairros da periferia.

Há 15 dias, a situação tornou-se pior, pois um dos veículos, um Opala ano 90 reformado por duas vezes, apresentou problemas e está parado no pátio da oficina.

O outro carro, um Escort ano 95, está em razoável condição de uso, na opinião dos investigadores, mas não serve somente para realizar o trabalho de investigação e resolução de crimes, pois também é utilizado para trabalhos administrativos, como a entrega de intimações.

Na Delegacia do Município a situação não é diferente. O camburão utilizado para o transporte dos presos é da década de 70 e apresenta problemas mecânicos. Um outro veículo, Ipanema, ano 95, está quebrado no pátio da cadeia, sem rodas. Há apenas um Gol ano 89, uma Blazer ano 2000 e um Santana 2001 para realização dos trabalhos.

Segundo o delegado Luiz Roberto Ramada Spadafora, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo/Interior (Deinter 3), a Polícia Civil de Matão deverá receber novas viaturas até o fim deste ano.

Quanto ao número de investigadores existentes para atender à população da cidade, o delegado diz que isso também será resolvido, já que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) abriu concurso para contratação de novos profissionais para a Polícia Civil em todo o Estado.

Em relação ao problema do crescimento do comércio de drogas, ele fala que pretende reforçar os funcionários da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Araraquara, para que possa dar maior atenção a municípios como Matão, Taquaritinga, Ibitinga e Itápolis.