09 de julho de 2026
Política

Spíndola aponta estatuto e defende-se

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Rubens Spíndola, garantiu ontem que as quatro contratações efetuadas na sua curta gestão no comando da empresa são estatutárias. Segundo ele, o artigo 18 do estatuto legaliza as contratações que foram efetuadas. “Cumpri integralmente e fielmente o estatuto”, justifica.

Anteontem, o atual presidente da companhia, Rubens de Souza, anunciou que a demissão de quatro assessores de diretoria - remanescentes da gestão Spíndola - vão custar R$ 19 mil com despesas rescisórias aos cofres da empresa.

“O nosso procedimento não foi imoral. Ele foi legal. Contratei pessoas decentes para trabalhar conosco na Cohab”, defende-se. “O doutor Antonio Carlos Cescato Teodoro é uma pessoa que conhece a Cohab de ponta a ponta”, elogia, completando que o salário, de R$ 3.800,00, não seria alterado. Cescato, ex-funcionário da companhia, iria assumir o departamento jurídico da empresa, em substituição a Emir Maddi.

“O Celso Adriano Chermont assumiria a assessoria de imprensa ganhando R$ 2.300,00, menos do que ganha a secretária do presidente. A todo momento, a imprensa procura a Cohab. Achei até que com essa contratação estaria prestigiando os meios de comunicação de Bauru”, explica.

Spíndola também justificou as nomeações de César Ferreira e Pedro Valentim. “O César iria ficar comigo no gabinete. O Valentim seria o assessor técnico da diretoria. São pessoas que estavam ligadas politicamente (ao grupo). Contratamos os dois pelo salário de R$ 2.300,00 cada um”, informa.

Para o ex-presidente da Cohab, “é enganosa” a informação de que as contratações foram feitas com salários que variavam de R$ 2.300,00 a R$ 3.800,00. “Eu não preciso enganar ninguém, mas também não gostaria de ser enganado. Gostaria de ser tratado como gente honesta e correta.”

Spíndola é da opinião de que a atual gestão poderia evitar as despesas de verbas rescisórias com a manuntenção dos assessores que haviam sido contratados por ele. “São pessoas contratadas com o intuito de fazer o serviço em prol. Ao contrário de 14 assessores existentes no atual quadro com desvios de função, que trabalham como motoristas, nas portarias, na secretaria”, comenta.

O ex-presidente da companhia acusa o atual de inverter a ordem da situação. “Há uma declaração do atual presidente da Cohab que diz que o pessoal foi contratado para ser motorista. Essa pessoa não pode estar no juízo perfeito”, critica.

Ele aponta irregularidades na administração da companhia. “Há estagiários prestando serviços de outras pessoas e ganhando como estagiário. Nós iríamos corrigir tudo isso”, finaliza.

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Ex-assessores também defendem contratações

Os ex-assessores de diretoria da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Pedro Valentim e César Ferreira, que ocuparam os cargos durante oito dias, afirmaram ontem que as suas contratações foram legais e que a culpa pelos valores das rescisões não é deles, e sim da estrutura organizacional da empresa.

“Cargo político de confiança na Cohab tem há muitos anos, e todos com salários maiores do que eu ganhei nesses dias trabalhados. Ninguém cometeu ilegalidade e nada absurdo. Está tudo amparado em lei”, defende-se Valentim.

Segundo ele, o acordo entre o Ministério do Trabalho, a Caixa Econômica Federal e própria Cohab para que novas admissões na empresa fossem feitas apenas através de concurso público deveria ter sido passado ao ex-presidente Rubens Spíndola. “Caberia aos funcionários que trabalham com admissão e demissão terem alertado a diretoria que estava iniciando de que tinha esse termo”, afirma.

Valentim rebate a acusação feita pelo atual presidente da Cohab, Rubens de Souza, de que ele e os outros assessores de diretoria estariam exercendo a função de motorista. “Isso não é verdade. Eu fui contratado como assessor administrativo de diretoria”, diz.

César Ferreira, que apresentou um atestado médico à direção da Cohab alegando estar doente, mas, mesmo assim, foi demitido, também contesta a informação de que seria motorista da companhia. “Em nenhum momento, a gente usou veículos ou pretendeu usá-los. Pelo que foi designado pelo Spíndola, eu era o chefe de gabinete da presidência”, afirma.

Ele culpou o prefeito Nilson Costa (PTB) pelo valor que receberá como indenização. “Os valores da rescisão contratual dos assessores infelizmente são legais devido à política de empreguismo do atual e provisório prefeito”, declara.

Segundo Ferreira, essa situação mudará caso o vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL) volte a assumir o cargo de chefe do Executivo. “Ele apresentará novas estruturas organizacionais para a Cohab, Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) e DAE (Departamento de Água e Esgoto), de maneira que os cargos com altos salários sejam revistos e até extintos”, diz. (Ronaldo Schiavone)