As cinco agências da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru permaneceram fechadas ontem, devido à greve dos funcionários iniciada no País na última quarta-feira. No serviço de auto-atendimento (caixas eletrônicos), a opção de depósito estava indisponível em duas unidades - agência Bauru, na rua Gustavo Maciel, e agência Nações Unidas. O Sindicato dos Bancários decidiu ontem manter a paralisação e pretende agora acirrar o movimento.
Os problemas no auto-atendimento estão entre as conseqüências da greve já previstas pelo sindicato. Isso porque quem faz o recolhimento dos envelopes de depósito, por exemplo, são funcionários que, em sua maioria, estão participando do movimento.
“Os caixas eletrônicos ficam funcionando normalmente ontem, não vamos impedir ninguém de utilizar. Mas podem ocorrer problemas operacionais pelo fato de encarregados deste setor integrarem o movimento grevista”, esclarece Marcos Silvestre, diretor do sindicato.
Na região de abrangência do Escritório de Negócios (EN) da Caixa em Bauru, apenas sete das 29 agências funcionaram normalmente ontem, nas cidades de Fartura, Garça, Ibitinga, Itápolis, Piraju, Pompéia e Santa Cruz do Rio Pardo. De acordo com a assessoria de imprensa da CEF, nas demais apenas o auto-atendimento estava disponível.
Os bancários da CEF na cidade reivindicam 21% de reajuste salarial, 123% de reposição das perdas acumuladas, isonomia para os novos funcionários concursados e a readmissão de 441 empregados demitidos sem justa causa. A direção do banco oferece 12,6% de reajuste e ainda não avançou na proposta, segundo o sindicato.
Em Bauru, o fechamento das agências - literalmente lacradas com faixas do Sindicato dos Bancários - fez com que o movimento das casas lotéricas aumentasse sensivelmente. “Das 8h às 18h está muito movimentado. O pessoal vem mais atrás do FGTS e de saques até R$ 100,00”, afirma Antônio Leite Neto, proprietário de uma lotérica.
Segundo ele, desde o início da greve o fluxo de clientes aumentou cerca de 30%. “Tanto no Centro quanto na periferia, todas as lotéricas estão mais cheias com essa greve da Caixa”, declara Leite Neto.
Na agência da Nações Unidas, relativamente longe de qualquer casa lotérica, muitos clientes foram surpreendidos com as portas do banco fechadas. Um enfermeiro, que não quis se identificar, precisava retirar R$ 200,00 do seguro-desemprego para uma viagem de negócios já marcada. Ele terá de aguardar a reabertura do banco. “Não tenho o cartão”, explica.
O estudante Felipe Garcia Moura, que foi à agência em busca de R$ 240,00 do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), também não sabia da greve. “Estou precisando desse dinheiro”, disse. Para, em seguida, lamentar: “Agora tenho de esperar.”
Menos serviços
O diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru Roberto Machini afirma que, se não houver acordo, outros serviços disponíveis nos caixas eletrônicos poderão ser suspensos. Isso porque opções como o depósito em envelope no auto-atendimento é processado por empregados terceirizados. “Como a diretoria da CEF está endurecendo, nós vamos começar a endurecer a greve também. A tendência agora é começar a não entrar os terceirizados também”, diz.
Machini declara que o sindicato começará a mobilizar as chamadas “comissões de convencimento” em relação aos terceirizados. “A gente não segura ninguém, mas fazemos o piquete para convencer a pessoa a não entrar”, afirma. Segundo ele, a CEF tem cerca de 430 funcionários em Bauru - 85% deles estão parados - e número semelhante de terceirizados. Hoje, uma nova assembléia avaliará o movimento.