O português Duarte da Silva, que foi membro da diretoria da Associação Beneficente Portuguesa por 50 anos, completa hoje seu 100.º aniversário. Morador de Bauru há 88 anos, ele chegou ao Brasil junto com os imigrantes portugueses que vinham tentar a vida na antiga colônia, no início do século, e também para fugir da iminência da Primeira Guerra Mundial.
Silva é casado com Adoração Martins da Silva, a dona Dora, há 76 anos. O casal teve cinco filhos - dois já falecidos - e hoje a família é composta por mais 13 netos e 18 bisnetos. O patriarca conta que veio para Bauru ainda menino, junto com um primo. Viemos eu e um primo, eu com 12 anos, direto para Bauru. Eu comecei trabalhando em uma padaria na rua Batista (de Carvalho), em frente às Lojas Americanas. Era a Padaria Aurora”, relata Silva.
Há mais de 50 anos, o casal mora na quadra 7 da avenida Rodrigues Alves, no coração de Bauru. “A cidade, naquela época, era a Rodrigues Alves, duas ou três ruas para cima, e só. Depois era uma buraqueira. Para baixo (em direção à Bela Vista), tinha as casas dos italianos. E depois, com a Noroeste (estrada de ferro), Bauru cresceu muito”, recorda.
Silva foi proprietário de uma padaria na Vila Falcão, e posteriormente, de uma serraria. Em 1939, começou a participar da diretoria do Hospital Beneficência Portuguesa, sendo presidente da instituição por 16 anos. Em 1981, ele recebeu o título de Cidadão Bauruense.
Mesmo completando 100 anos, ele ainda se mostra crítico e informado quanto aos assuntos da cidade. “Bauru cresceu, mudou para melhor, mas podia estar melhor ainda. Veja outras cidades, como Rio Preto, que era menor que Bauru, e hoje estão muito maiores. Marília daqui a pouco alcança Bauru. Não temos tido sorte com os políticos, isso sim, tem sido uma vergonha”, alfineta Silva.
A família toda se reúne neste sábado para comemorar o aniversário do patriarca.