Vocês já ouviram aquela história que o marido chega em casa, pega a mulher com outro e, para “resolver” o problema, joga o colchão pela janela? Lembrei-me dela ao ler no Jornal da Cidade de 19/10/03 a justificativa do Centro de Zoonoses de Bauru em trazer de volta a pré-histórica carrocinha e fazer o sacrifício de todos os animais errantes (estamos regredindo), independentemente de estarem doentes ou saudáveis. É vergonhoso, cruel e antiquado, enquanto já existem soluções bem mais humanas, práticas e baratas para solucionar esse problema.
Em cidades civilizadas e com equipes conscientes, os animais são registrados para se ter o controle sobre o número de animais existentes (e as despesas não são todas da prefeitura, pois em São Paulo paga-se R$ 3,00 para se fazer o registro obrigatório por lei de cada animal).
Com a participação da comunidade, de clínicas veterinárias e faculdades de medicina veterinária, cidades como Taboão da Serra, Rio de Janeiro e Jundiaí realizam há anos projetos de castração de seus animais. Em Taboão da Serra, de abril de 1996 até abril de 1999, 2.740 cães foram castrados. A progressão geométrica mostra que esses descendentes poderiam ter gerado mais de 50 mil filhotes nestes três anos. Outras cidades como Guarulhos, Sorocaba, São Carlos, Porto Alegre e outras se preparam para trabalhos semelhantes. Na cidade do Rio de Janeiro, há meses somente a Universidade Estácio de Sá, em parceria com a prefeitura, castrou 1.738 animais, conforme declaração do superatuante vereador carioca Claudio Cavalcanti. Se numa cidade tão grande como a do Rio a carrocinha foi abolida e o problema dos animais na rua está sendo resolvido com humanidade e racionalidade, como entender que numa cidade pequena como Bauru isso não possa se feito?
É preciso realmente sacrificar animais? Quantas castrações seriam feitas com esse investimento de R$ 360 mil no Centro de Zoonoses para assassinar animais? Isto é falta de humanidade, muito comodismo daqueles que apelam para soluções mais fáceis e menos trabalhosas. Será que não estão se esquecendo que Deus criou todas as criaturas, homens e animais, para conviverem juntos e harmoniosamente?
Creio que já é hora das pessoas sensatas e com responsabilidade darem um basta nesta atitude cruel e arbitrária do Centro de Zoonoses. Não pagamos impostos para subsidiar a matança de animais inocentes.
E quanto à leishmaniose, é claro que, infelizmente, os cães comprovadamente doentes devem ser sacrificados, mas ainda não vi nenhuma declaração das autoridades competentes sobre o que estão efetivamente fazendo para combater a infestação dos verdadeiros responsáveis pela doença, que são os mosquitos palha, que tendem a se proliferar diante do descaso das autoridades com o meio ambiente. É mais fácil “jogar fora o colchão”, não?
Dinéia Rasi Baptista - RG 6.343.250