08 de julho de 2026
Geral

USC quer museu de animal empalhado

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A Universidade do Sagrado Coração (USC) pretende criar um Museu de Zoologia para abrigar todo seu acervo de animais taxidermizados – ou empalhados. De acordo com a professora do Departamento de Biologia, Ana Maria Vieira, o atual acondicionamento das peças está lotado.

Ela comenta que a direção da instituição está negociando a criação do museu no prédio do Automóvel Club, no Centro da cidade. “Este processo está bem encaminhado. Agora, estão estudando o espaço físico, para ver se vai atender ao nosso acervo. Pretendemos expor as peças catalogadas, organizadas. Está bem próximo o momento desse material ser exposto em condições ideais, com o ambiente próprio de cada animal montado”, diz Vieira.

O departamento conta atualmente com mais de 300 animais taxidermizados, de todas as classes – répteis, anfíbios, peixes, aves e mamíferos. Há ainda uma enorme quantidade de espécies conservadas em vidros com formol e de esqueletos montados. O acervo da USC foi iniciado em 1996, quando um técnico em taxidermia foi contratado. Desde então, mais de 200 peças foram preparadas na instituição.

A professora explica que a taxidermia é a técnica que permite a conservação da pele e do esqueleto dos animais, principalmente com a intenção de estudo científico.

“Existe a taxidermia artística, em que os animais são colocados em posições peculiares, da maneira que o profissional ou cliente quiser. Ele é guardado na estante como se fosse um artesanato”, esclarece.

Vieira é contra a taxidermia como hobby ou para fins de coleção. Ela afirma que as pessoas ainda têm a visão de que as peças são uma arte exótica. “O colecionador me choca. Eu jamais faria a taxidermia de um animal para ficar na estante da minha casa. Você tem um museu, vai lá, visita, mas deixa cada qual no seu lugar”, enfatiza.

Na taxidermia científica, dirigida para pesquisa e estudo, o animal é montado em uma posição natural para sua espécie, da maneira que ele estaria na natureza. Antes do processo, os animais são catalogados, com descrição de sua origem, medidas, sexo, conteúdo estomacal e outros itens.Uma peça, bem conservada, pode durar até 200 anos.

“Pegamos animais atropelados, doados pelo zoológico ou por criadores. Temos uma parceria importante com a Polícia Federal e com o Ibama”, conta.

Técnicas

Para cada classe de animais – répteis, anfíbios, aves, peixes e mamíferos – há um processo diferente de taxidermia. A professora Vieira explica que, de maneira geral, a técnica resume-se em retirar todo o interior e o esqueleto do animal.

“É feita uma incisão na região ventral, com o animal com o dorso na mesa de trabalho, e você vai tirando os órgãos, as vísceras, sempre tomando cuidado para não deixar vazar sangue e sujar. Você vai separando o tegumento dos músculos, até ficar só a pele”, explica.

Quando o taxidermista consegue separar todo o esqueleto e permanece apenas com a pele do animal, ela é lavada, seca e recebe uma espécie de fixador em pó, o bórax. Com todo o tegumento já seco e limpo, começa o processo de enchimento.

Entre as possibilidades mais usadas atualmente, o profissional escolhe entre o pó-de-serra, o algodão ou o gesso para preencher a peça. A professora comenta que, normalmente, a cabeça é feita de gesso para evitar deformações.

“É feito um molde com o crânio, para ficar perfeito. Esse molde vai no lugar do osso e o animal fica com a fisionomia que tinha antes”, diz.

Junto com o enchimento, é instalada também uma armação, na maioria das vezes feita de arame, para dar sustentação à peça. No caso de animais maiores ou para deixá-los em posição vertical ou em pé, arames mais grossos são utilizados.

“Existe a possibilidade de fazer o corpo inteiro com gesso. Você vai colocando gesso úmido, ele vai penetrando nas cavidades e você pode moldá-lo. Mas essa é uma técnica cara e a peça fica muito pesada”, observa a professora.

O tegumento, do lado exterior, não recebe nenhum tipo de tratamento, a não ser no caso dos peixes, que têm aplicada uma camada de verniz para não perderem as escamas. Por isso, é difícil manter sua cor original. Os mamíferos são escovados e limpos a cada dois ou três meses, para combater ácaros, traças e cupins. A taxidermia é uma arte cara. O processo em animais de médio porte, por exemplo, fica em torno de R$ 2 mil.

Vieira comenta que os olhos do animal são um dos itens de maior importância no processo. “São olhos artificiais e são eles que dão toda a expressão ao animal. Se você coloca um olho de má qualidade, perde todo o seu trabalho. Por isso, só usamos material de ótima qualidade, importado”, diz.

A USC oferece curso de taxidermia todos os anos, no período de férias dos alunos. Nste ano, as inscrições ainda não estão abertas, mas as aulas, que normalmente duram uma semana, devem ocorrer no mês de dezembro. No ano passado, o curso teve custo de R$ 60,00.

• Serviço

Interessados no curso de taxidermia ou em agendar visitas ao acervo de animais podem procurar a secretaria do Departamento de Biologia, pelo telefone (14) 3235-7069.