08 de julho de 2026
Regional

Vítima de osteoporose volta a andar

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Jaú - Pacientes com osteoporose grave que já tinham perdido os movimentos podem sonhar em andar de novo. Este é o resultado de uma pesquisa desenvolvida no Hospital Amaral Carvalho de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), e que será apresentada no final deste ano no Congresso Internacional de Davos, na Suíça. Um grupo de 19 portadores da doença foi submetido a dois tipos de tratamento com drogas diferentes e abandonaram a cadeira de rodas e a cama.

Na busca pelo alívio da dor daqueles que perderam a função de andar, o fisiatra Antônio Carlos de Camargo Filho resolveu testar duas drogas com os pacientes em estágio avançado da doença.

Ele frisa que é considerada osteoporose grave quando o paciente já não tem mais condições de andar e chega ao hospital em cadeiras de rodas ou macas. “Este grupo de pacientes foi selecionado por figurarem como em estado avançado da doença.”

Os pacientes escolhidos para o teste estão na faixa etária de 30 a 89 anos e são, em sua maioria, mulheres, principais portadoras da doença. A aplicação do medicamento pamidronato foi utilizada em nove doentes de 30 a 80 anos. Enquanto que o ácido zoledrônico foi usado em pacientes de 60 a 89 anos. “Depois de quatro meses de tratamento, esses pacientes voltaram a ter a marcha da triangulação. Saíram do leito com domínio e apenas dois deles precisaram de coletes durante dois ou três meses, o restante nem precisou de colete.”

Segundo o médico, o mais interessante do trabalho foi a velocidade da reabilitação. “Eles recebiam tão somente a droga e o cálcio. As aplicações eram mensais, na veia, uma dose por vez, quatro doses por ano. ”

O tratamento deve provocar um impacto socioeconômico muito grande, avalia o médico. “Temos de lembrar que cada paciente acamado mobiliza, no mínimo, duas pessoas, são os cuidadores. No domicílio, ele restringe uma outra pessoa que poderia estar trabalhando, produzindo.”

Por questões éticas, os nomes dos pacientes submetidos ao tratamento não foram revelados pelo fisiatra. “Do grupo selecionado, uma das pacientes morreu de insuficiência respiratória antes de tomar a segunda dose tamanha a fragilidade óssea dela. Os ossos de seu tórax estavam feitos uma gelatina. Ela não tinha condições de respirar. Dentro da casuística apresentada, a gente coloca nos gráficos o falecimento.”

Durante o tratamento com o pamidronato, foram observados alguns efeitos colaterais. Entre eles, a náusea e a hipertensão, que também foram notadas no uso do ácido zoledrônico.O trabalho de pesquisa, inédito, é um dos muitos desenvolvidos no Hospital Amaral Carvalho.

Adeus a dor

O Hospital Amaral Carvalho tem a responsabilidade histórica de ter aberto a primeira enfermaria da dor e medicina paliativa do País. Depois de 12 anos, a clínica não suporta a demanda, tal a busca pelo alívio, explica o fisiatra Antônio Carlos de Camargo Filho. “O hospital não tem como assumir toda a demanda que existe para a terapia da dor, quer sejam pacientes oncológicos ou não. Atendemos as internações, um volume de cerca de 550 pacientes por ano, ou aproximadamente 40 pacientes semanais.”

A experiência inovadora é alicerçada em muito conhecimento internacional. “ Na Inglaterra, onde tive a minha formação, tem 472 centros como esse, com média de 15 leitos para uma população de 10 milhões a menos que o Estado de São Paulo.”

Em nosso País, de acordo com ele, não há médicos e paramédicos formados em volume suficiente para atender a demanda dos pacientes que precisam. “No Brasil, a dor está relacionada a características raciais, culturais e religiosas de nosso povo, onde o sofrer faz parte da vida. Antes da clínica, achava-se que a dor preparava o indivíduo para a vida após morte e que o reino do céu seria garantido através do sofrimento.”

Para o especialista, não há mais por que o paciente oncológico sentir dor. “Há mais ou menos cinco anos foi resolvido totalmente o problema da dor dos pacientes com câncer. Só sente dor o paciente oncológico que não tem acesso ao médico com conhecimento adotado pela terapia da dor ou não tem acesso às medicações de controle. Aproximadamente, 7% deles precisarão de técnicas mais sofisticadas como as microcirurgias, neurocirurgias, implantes de catéteres e bombas de analgésicos.”

Sem cura

Nem toda dor tem cura, ainda, lamenta o fisiatra. De acordo com ele, as dores de causas neurológicas são as que detêm o maior mistério de entendimento e as dificuldades técnicas de tratamento. “O sistema nervoso é o sistema de alarme da dor. É o transportador da informação de dor e o que interpreta a dor. Quando esse sistema é atingido, a gente não sabe, ainda, como tratá-lo, com uma eficiência de 100%.”

O vírus da catapora, por exemplo, cita Camargo Filho, quando afeta a pele de uma pessoa de idade avançada provoca um dano no nervo após a pele. O dano é tão grande que atinge a medula espinhal, que é a primeira estação de telefonia que liga e desliga o sistema de conexões da dor. “O dano na medula faz com que a gente não tenha como parar as descargas elétricas anormais de alarme da dor.”

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O que é terapia

Jaú - A terapia da dor é a utilização de todas as técnicas da medicina convencional para a avaliação e o diagnóstico corretos das patologias dolorosas e a indicação certa da técnica mais adequada para cada caso, explica o médico fisiatra Antônio Carlos de Camargo Filho. “Usamos desde a farmacoterapia até cirurgias de congelamento de nervos, implantes de catéteres com reservatórios de morfina ou com outras drogas específicas para tratamento de dores não relacionadas ao câncer.

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A doença

Jaú - Osteoporose, que significa osso poroso, é uma doença resultante da perda gradual da substância óssea que ocorre naturalmente com o envelhecimento, em todos os indivíduos. A fragilidade do osso aumenta o risco de fraturas, especialmente do quadril, coluna e punho.

Para entender como a osteoporose se desenvolve, é necessário conhecer alguma coisa sobre a estrutura e função do osso. O esqueleto ósseo é um tecido vivo e complexo. Dá suporte aos músculos e proteção a órgãos vitais. Também armazena o cálcio, essencial para numerosas funções orgânicas, incluindo a manutenção da densidade e força dos ossos.

O organismo usa o cálcio dos ossos quando não existe ingestão suficiente ou quando há necessidade adicional, como na gravidez e na lactação, por exemplo.

Durante a vida, os ossos são constantemente formados e reabsorvidos, ou seja, o osso velho é removido e um novo osso é adicionado ao esqueleto. Na infância e adolescência, a adição ocorre mais rapidamente do que é a reabsorção e, como resultado, os ossos ficam maiores, mais pesados e mais densos.

Depois dos 30 anos, a reabsorção óssea lentamente começa a exceder a formação. Para a mulher, a perda óssea é muito maior durante os cinco anos seguintes à menopausa, porque a ação protetora do hormônio estrógeno diminui, porém persiste nos anos seguintes. O homem também perde osso, mas numa taxa muito menor.

Após os 70 anos, existe outra forma de osteoporose que acomete tanto homens quanto mulheres: a osteoporose senil, própria do envelhecimento. Estima-se que uma em cada três mulheres ou um em cada seis homens com mais de 70 anos poderão ter uma fatura do quadril relacionada à osteoporose.