08 de julho de 2026
Geral

Entidades terão selo de idoneidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) atestará a idoneidade das entidades assistenciais de Bauru através de um selo de responsabilidade social, que será concedido até o final desse ano. Através de uma avaliação, as instituições poderão receber um selo ouro, prata ou bronze.

Por meio dele, as cerca de 70 instituições do município terão um novo aliado para demonstrar à comunidade e para a iniciativa privada a qualidade dos projetos desenvolvidos por elas. As disparidades entre as entidades mais e menos populares também podem ser amenizadas, defende a Sebes.

“Através da iniciativa também pretendemos estimular o desenvolvimento sustentável das entidades, mostrar que todos os investimentos - públicos e privados - estão sendo bem empregados e gerando bons frutos, além de divulgá-las”, explica a titular pela Sebes, Darlene Martim Tendolo.

De acordo com ela, para viabilizar a proposta, a secretaria firmou parceria da Instituição Toledo de Ensino (ITE), cuja atribuição será o monitoramento das entidades.

Se elas demonstrarem interesse e se inscreverem no prazo que será divulgado, receberão a visita técnica de um grupo formado por assistentes sociais indicados pelo Conselho Regional de Serviço Social (Cress) e estudantes do último ano da Faculdade de Serviço Social.

Através de critérios já estabelecidos que também serão divulgados, a equipe analisará indicadores e formulará pontuações de 1 a 100. Se a soma dos pontos for superior a 75% do total, será concedido um selo ouro à entidade. Se o total ficar entre 75% e 50%, o selo será prata. Pontuação entre 25% e 50% resultará num selo bronze.

“O objetivo é não excluir ninguém. Pelo contrário, queremos estimular para que todas as entidades cheguem ao ouro. Através do trabalho, também queremos mapear as dificuldades do segmento. As informações serão transmitidas ao Conselho Municipal de Assistência Social, que fiscaliza as verbas liberadas pelo Estado e União”, ressalta Tendolo.

A análise da pesquisa e a pontuação ficará a cargo de representantes do próprio conselho e de outros conselhos municipais como o dos Direitos da Criança e do Adolescente, o da Pessoa Idosa, da Pessoa Portadora de Deficiência, o Antidrogas, o da Associação das Entidades Assistenciais de Bauru e da Divisão Regional de Assistência e Desenvolvimento Social.

“O grupo fará a classificação. Acredito que a grande maioria das entidades assistenciais de Bauru tenha condições de obter o selo”, informa a diretora da Faculdade de Serviço Social e presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, Elgi Muniz.

Segundo ela, tanto as entidades governamentais quanto as não-governamentais poderão requerer o ofício de inscrição e passar pela avaliação, que será respaldada na Lei Orgânica de Assistência Social (Loas).

“Vamos capacitar o grupo para que a visita seja feita com um olhar de competência”, ressalta Antonia Bolgarini de Godoy, presidente do Cress. Ela responde pela capacitação da equipe, que será realizada no dia 31 deste mês.

Até lá, a Universidade Paulista (Unip), que também é parceira do projeto, continuará executando o projeto de comunicação que inclui a criação da marca do selo.

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Apoio condicional

O apoio à criação do selo de responsabilidade social não é incondicional, pelo menos entre as cinco entidades ouvidas pelo JC. Entre os receios elencados estão o processo de pontuação e a possibilidade de marginalização das instituições que enfrentam dificuldades financeiras.

“Acho importante o selo, mas me preocupa a possibilidade da atual conjuntura prejudicar as entidades que passam por dificuldades econômicas. Elas podem ser discriminadas. Se a peculiaridade de cada instituição for levada em conta e a Sebes aproveitar para mapear o segmento, o apoio é integral”, diz o presidente da Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social, Paulo Sérgio Canalli.

Já o questionamento da presidente do Núcleo Amizade, que funciona no Parque Santa Edwirges prestando apoio familiar, Marta Maria Sigifredo, passa pelos critérios de avaliação.

“Vamos ver o que vão usar, ainda não conheço o projeto. Num outro aspecto, a idéia parece boa porque dará oportunidade para todas as entidades se apresentarem com o mesmo nível na iniciativa privada”, ressalta.

A disparidade, até de doações, entre as instituições mais populares da cidade e outras menos conhecidas já havia sido observada pela Sebes, que através do selo também tentará resolver o problema.

“A idéia é que, com a inclusão, as entidades pequenas tenham as mesmas oportunidades. Hoje elas são preteridas em relação às mais conhecidas”, admite a Diretora da Divisão de Serviços Sociais da Sebes, Marinelse Carloni.

Também na opinião do pequeno empresário e secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Domingos Antonio Malandrino, a criação do selo vai ampliar o leque para aquele que quiser investir nas instituições assistenciais. “Será uma nova referência para quem desenvolve o trabalho e para quem quer colaborar”, conclui.

Pensa da mesma maneira a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Olga Bicudo Tognozzi, para quem o selo poderá orientar o empresariado a apoiar projetos.

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