11 de julho de 2026
Política

Vereadores criticam despejo da Uipa proposto pela Prefeitura Municipal

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Os vereadores da Câmara Municipal de Bauru passaram boa parte da sessão de ontem discursando em defesa da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa). O assunto foi discutido em plenário em razão da notícia de que a Prefeitura Municipal pretende retomar o canil mantido pela entidade com a finalidade de abrigar animais com suspeita de leiscmaniose.

A vice-presidente da Uipa, Ângela Maria da Silva, utilizou a tribuna para revelar aos parlamentares que recebeu, no dia 4 deste mês, uma notificação com prazo de 30 dias para deixar o prédio que a entidade ocupa há 20 anos. “Entendemos que pode ser legal o direito da prefeitura retomar o terreno que lhe pertence, mas, de acordo com a lei federal que tutela os animais, isso é incoerente”, afirmou.

O vereador Lelo Rodrigues (PFL) foi o primeiro a sair em defesa da instituição. “Essa notícia vem se arrastando há muito anos. A Uipa se desdobra no cuidado de cães, gatos e cavalos, mas vive debaixo de constante atropelo. Todo ano querem tirá-los de lá”, declarou.

Para discutir o problema, ele convocou uma audiência pública, que será realizada no dia 12 do próximo mês, às 14h, na Câmara. “Queremos tratar de vários assuntos. Temos seis médicos veterinários que trabalham na prefeitura e estamos fazendo um documento pedindo informações sobre as condições de trabalho deles”, afirmou.

A audiência, porém, pode acabar sendo realizada tarde demais, já que o prazo para desocupação do imóvel vence no final desta semana.

O vereador José Clemente Rezende (PDT) defendeu que o pedido de desocupação do canil pode ter sido uma retaliação. “Voltamos ao tempo dos imperadores de Roma, em que se tinha que obedecer tudo o que era determinado. Se você faz alguma crítica, sofre todo o tipo de perseguições”, disse.

Carrocinha

A parlamentar Catarina Carvalho (PFL) criticou a decisão da prefeitura de recolher os animais de rua para conter o avanço de cães e gatos errantes. “Do jeito que está sendo proposto, isso é um retrocesso. Estão querendo matá-los”, disse.

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) também se mostrou contrário à medida. “As pessoas estão mais preocupadas com o sacrifício dos animais do que com o mosquito, que precisa ser combatido a partir da limpeza de quintais e terrenos baldios. Não adianta fingir que temos uma política de controle de zoonoses”, opinou.

O argumento foi apoiado pelo presidente do Poder Legislativo, vereador Renato Purini (PMDB). “É necessário o combate às causas e não aos efeitos. Acho a volta da carrocinha um grande retrocesso”, afirmou.

A opinião já havia sido defendida pela vice-presidente da Uipa. “A volta da carrocinha é igual a pedir a implantação de máquinas de datilografia, ao invés de computadores, nas escolas”, declarou Ângela Maria da Silva.

Durante o discurso aos vereadores, ela também criticou a transferência de cães com suspeita de leishmaniose para o canil. “Essa atitude irá migrar a doença para um bairro (Jardim Redentor) em que ainda não foi registrado nenhum caso”, declarou.

A reportagem entrou em contato com o chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), José Rodrigues Gonçalves Neto, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto. Anteriormente, porém, ele havia afirmado que o canil da Uipa faz parte do projeto de reestruturação do CCZ, cujas obras de ampliação devem estar concluídas até o final do ano.

Até o momento, Bauru resgistrou nove casos de leishmaniose visceral em humanos e outros 14 em cães.