09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Preços de combustíveis voltam a subir

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O preço do litro da gasolina em grande parte dos postos de combustíveis de Bauru voltou a subir no final de semana, embora ainda permaneça abaixo da média do mercado. Ontem, a gasolina podia ser encontrada a R$ 1,99, após um longo período de “promoção” em que o produto estava sendo vendido a R$ 1,79.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, as principais bandeiras teriam encerrado a promoção que, neste ano, teve início no final de abril e deu origem a uma “montanha-russa” de preços e a postos fechados. No período, a margem de faturamento de alguns estabelecimentos chegou a menos de R$ 0,08 por litro - a Agência Nacional de Petróleo (ANP) recomenda margem de R$ 0,25.

De acordo com Homero, atualmente, as maiores distribuidoras estão fornecendo gasolina a uma média de R$ 1,75, mas os empresários não trabalham com uma margem maior devido à acirrada guerra de mercado na cidade. “O consumidor de Bauru continua sendo privilegiado, porque esse preço (R$ 1,99) é ainda abaixo do mercado”, diz. Segundo ele, no Estado os preços variam, em média, de R$ 2,05 a R$ 2,10.

De acordo com o presidente do Sincopetro, em 15 anos no ramo ele nunca viu o setor passar por uma situação tão delicada quanto a atual. “O mercado nosso de postos de gasolina está de ponta-cabeça”, afirma. E acrescenta: “Está um tentando matar o outro, e está todo mundo morrendo”.

Homero também descarta a hipótese de que haja cartel (combinação de preços) de postos na cidade, uma vez que há postos antigos que foram obrigados a fechar as portas. “Eu nunca vi cartel para quebrar”, diz. Segundo ele, se houvesse acordo de preços entre empresários o preço da gasolina estaria a R$ 2,20.

O preço do álcool também sofreu elevação, passando de uma média de R$ 0,83 a R$ 0,85 para a faixa de R$ 0,97 a R$ 0,99. Em outros municípios, o litro do álcool está, pelo menos, acima de R$ 1,00. De acordo com Homero, o preço “certo” do produto seria R$ 1,20.

Com a prolongada promoção, quem manteve preços acima do mínimo praticado viu sua clientela migrar para concorrentes mais baratos. O empresário Robson Mecca manteve o litro da gasolina a R$ 1,85 enquanto o produto podia ser encontrado a R$ 1,79 em outros estabelecimentos. O resultado, segundo ele, foi uma perda de 30% no faturamento.

Desde o último final de semana, Mecca reajustou o litro da gasolina para R$ 1,99, mas declara que sua margem continua pequena. “A margem ideal para um posto trabalhar sem prejuízo é de R$ 0,30 por litro”, diz. Para ele, a responsabilidade pelos prejuízos do setor é de novas bandeiras que entraram no mercado e baixaram os preços para fisgar novos clientes. “Tem que ir atrás desse povo e perguntar que milagre eles fazem”, afirma.

Adulteração

O presidente do Sincopetro chama atenção para o fato de que a concorrência acirrada e a redução no faturamento abrem espaço para venda de gasolina adulterada ou de qualidade inferior. “Quando tem muito tempo de promoção, a adulteração está próxima”, diz. Para ele, a vítima é o consumidor, que em longo prazo terá de arcar com custos de problemas nos automóveis em decorrência do combustível ruim.

Desde o início da chamada promoção, o Ministério Público Federal (MPF) investiga a prática de dumping (crime contra a ordem econômica caracterizado pela venda de determinado produto abaixo do preço de custo) e de comercialização de combustíveis adulterados na cidade - neste caso, o MPF comprovou a adulteração e lacrou diversas bombas em postos de Bauru. O procurador federal Pedro Antônio Oliveira Machado, responsável pela investigação sobre dumping, não foi localizado ontem para comentar o assunto.