O escritor bauruense Blasco Peres Rego, de 71 anos, tem motivos de sobra para se alegrar: o autor, que se candidatou a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), recebeu, na última semana, a notícia de que seu nome está entre os 14 inscritos para disputar a cadeira de número 39, ocupada por Roberto Marinho e que tem como patrono Francisco Adolfo de Varnhagen.
A eleição, que conta com fortes concorrentes, entre eles o ex-vice presidente da República, Marco Maciel e o escritor Fernando Morais, segundo a assessoria de imprensa da ABL, está marcada para o dia 18 de dezembro.
Autor de mais de 30 obras, entre romances, poesias e títulos de auto-ajuda, Blasco escreve há oito anos. Apesar de ainda não ter nenhum trabalho publicado (seus livros são impressos em forma de apostilas e vendidos em lojas da cidade), ele revela que o fato não significou um empecilho para sua tentativa à uma cadeira na ABL.
Informado sobre a vaga disponível por meio do endereço eletrônico da instituição (www.academia.org.br), Blasco decidiu se candidatar, enviando pelo correio a obra “Vôo da Rosa”, acompanhado de um currículo profissional, pré-requisitos exigidos pela presidência da Academia para o processo da eleição.
“O Vôo da Rosa é um romance composto por três lindas histórias de amor. O objetivo do casal é acabar com a guerras entre árabes e judeus”, aponta Blasco, justificando o porquê da escolha do título para representar seu trabalho como escritor. Segundo ele, o título será publicado pela editora bauruense Avalon e deverá ser lançado no início do mês que vem.
Realização pessoal
A possibilidade de se tornar um imortal membro da instituição literária mais renomada do País é motivo de orgulho para Blasco. O autor - que especializou-se em editar livros de caráter profissionalizante, como o “Manual do Frentista”, “Manual do Garçon” ou o “Manual do Porteiro” - confessa que apesar de achar difícil, sempre sonhou em ingressar em uma academia.
Ele, inclusive, já tentou, por diversas vezes, uma vaga na Academia Bauruense de Letras. “Já mandei diversas obras minhas, mas nunca fui convidado para participar”, diz. Embora não conheça as obras de Blasco, Munir Zalaf, que é presidente da instituição de Bauru, ressalta a importância de um nome local para a eleição da ABL. “É louvável a indicação de alguém da cidade para um cadeira como essa. Ele merece todo o nosso apoio”, observa.
Para Blasco, a notícia de estar concorrendo ao lado de feras do cenário literário nacional é um verdadeiro presente. “Só o fato da minha inscrição ter sido aceita, para mim já está ótimo. No Brasil todo eles só escolheram 14”, ressalta. De acordo com a assessoria de imprensa da ABL, o escritor é o único representante do Interior do Estado de São Paulo.
O autor - que está ciente da acirrada disputa que vai enfrentar - confidencia que mesmo que não seja eleito, já se considera um vitorioso. “A Academia é uma casa egrégea, respeitável, que já teve Rui Barbosa e Machado de Assis como presidentes. Então acho que só o fato de poder participar já é uma glória”, diz o autor, confirmando o que escreveu em “Manual do Sucesso”, livro de auto-ajuda que incentivou sua própria trajetória.
Segundo a assessoria de imprensa da ABL, além da vaga ocupada por Roberto Marinho, estão abertas as inscrições para a cadeira 19, que pertencia a Marcos Almir Madeira, que morreu no último dia 19.
____________________
Academia
Fundada em 1896 a partir de uma idéia lançada por um grupo de jovens escritores, a Academia Brasileira de Letras teve início com sucessivos encontros na redação da Revista Brasileira, que assumiram a forma de sessões preparatórias. Em 15 de dezembro do mesmo ano, Machado de Assis foi aclamado presidente da instituição, que teve sua diretoria e seus estatutos definidos em 28 de janeiro de 1897.
Na sessão inaugural, empossaram-se os 40 fundadores. Cada um deles, ao escolher um patrono para sua cadeira, perpetuou a memória de um grande nome das letras nacionais. Sem casa própria, a Academia peregrinou pelo centro do velho Rio de Janeiro. Nessa fase, contou com a hospitalidade da Revista Brasileira, do Pedagogium, do Ginásio Nacional, da Biblioteca Fluminense e de um escritório de advocacia, onde efetuou suas sessões.
Em 1923, o governo francês doou à Academia uma réplica do Petit Trianon de Versalhes, prédio erguido, no ano anterior, para abrigar o pavilhão da França na Exposição do Centenário da Independência. O local, que é a atual sede da ABL dispõe, no pavimento térreo, de um Salão Nobre e outros espaços, destacando-se a Sala dos Poetas Românticos e a Sala Machado de Assis. No andar superior, estão a Sala de Sessões, a Biblioteca e o salão de chá.
Composta por 40 cadeiras, que são divididas entre membros efetivos e perpétuos - dos quais 25, pelo menos, devem ser brasileiros e residir no Rio de Janeiro - a Academia possui ainda 20 vagas para correspondentes estrangeiros.
A administração deste ano é formada por cinco nomes: Alberto da Costa e Silva (presidente), Evanildo Cavalcante Bechara (tesoureiro), Ivan Junqueira (secretário-geral), Lygia Fagundes Telles (primeira-secretária) e Carlos Heitor Cony (segundo-secretário) - que foi um dos destaques da Bienal do Livro, realizada no início deste mês na Universidade do Sagrado Coração (USC).
Além da diretoria, escritores renomados como Rachel de Queiroz, Celso Furtado, Paulo Coelho, Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, José Sarney e Moacyr Scliar - que tomou posse no último dia 22 - ocupam as concorridas cadeiras da ABL. (Gustavo Cândido)
Fonte: site oficial da ABL (www.academia.org.br)