09 de julho de 2026
Geral

Leoa do Zoológico de Bauru volta à África

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A história de uma leoa de 2 anos e meio e que foi acolhida pelo Zoológico de Bauru pode ter final feliz: ela será repatriada dia 17 para a África do Sul, onde viverá em condições mais adequadas no zoológico Animal and Reptile Park Zoo, um recinto semelhante ao Simba Safari, instalado em Joanesburgo.

Ao todo, 60 leões brasileiros que não têm onde ficar no País e estão alojados em situação provisória serão transferidos para lá pelo Instituto Brasileiro de Recursos Ambientais Renováveis (Ibama). A leoa (Panthera Leo) de Bauru está entre os 20 animais que farão a primeira viagem.

Na África do Sul ela ficará mais distante do passado de abandono que marcou seus primeiros meses de vida. Pelo menos é o que espera o diretor do zôo de Bauru e secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Pires. Quando ele a recebeu, a leoa estava correndo risco de morte aos 10 meses.

Ela estava desnutrida e com sinais de descalcificação (perda de sais de cálcio nos ossos e dentes). A estatura aquém da normal é uma seqüela que ela carrega até hoje.

A leoa, que não foi “batizada”, atualmente pesa cerca de 85 quilos, mas o peso ideal para um outro animal da mesma idade é de 130 quilos. Quando chegou ao zôo, ela não passava de 60 quilos.

“Pelo jeito de pisar e caminhar já dava para perceber (a fragilidade). Ela tomou complementos vitamínicos. A leoa foi apreendida na casa de um particular em Avaré pelo Ibama, que não tinha para onde encaminhá-la”, explica Pires.

De acordo com ele, o animal foi conduzido para o zôo de Bauru até que o órgão ambiental indicasse um destino mais adequado. A família de Avaré a adotou, depois que ela foi abandonada por um circo.

Quarentena

Desde que foi recolhida ao Zoológico de Bauru, o animal permaneceu um espaço de 20 metros quadrados, numa ala denominada quarentena, que não recebe visitas. O único contato que ela tem, que não é direto, é com o tratador.

“Só obtivemos boas referências da pessoa que está solicitando os animais. Houve troca de informações. Esses animais são excedentes e estão provisoriamente em instituições. Todos eles são nascidos em cativeiro e a maioria viveu em condições péssimas”, reitera a chefe substituta do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação dos Predadores Naturais do Ibama, Rose Morato.

O JC apurou que todas os zoológicos do Brasil com condições de abrigar os felinos já dispõem de animais e não mantêm interesse na reprodução deles, o que tornaria a manutenção das instituições mais onerosas. Os zoológicos não arcarão com os gastos relativos à repatriação dos leões.

Embarque

As despesas do transporte aéreo, que seguirá padrões de segurança internacionais, serão custeadas pela instituição de Joanesburgo. Já os gastos com a condução dos animais dentro do País será de responsabilidade do Ibama.

Durante a viagem, os animais permanecerão em celas, mas não devem receber sedativos, o que segundo Morato não seria recomendável.

“Vão condicionar os animais em jaulas. Não me parece uma viagem muito estressante. O Ibama é muito cuidadoso e exigente nesse assunto. Vai tomar todas as medidas para que os leões saiam do Brasil em boas condições e cheguem na África da mesma maneira”, opina o veterinário e diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Luiz Carlos Vulcano.

Concorda com ele o veterinário Ronaldo Morato, para quem o transporte de animais realizados no interior do País por meio de caminhão é ainda mais estressante que em avião.

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Girafa

Se a previsão do secretário municipal do Meio Ambiente e diretor do Zoológico Municipal de Bauru, Luiz Pires, estiver correta, até o final desse ano a filhote de girafa doado pelo Zoológico de Brasília estará na cidade.

Ele finalizou o projeto do recinto onde o animal ficará e agora está buscando doações para construí-lo com madeira e cabo de aço, numa área de 1.500 metros quadrados.

“A obra tem custo previsto de R$ 20 mil. Estamos tentando conseguir o material junto à iniciativa porque dispomos de mão de obra. Não queremos dinheiro”, ressalta.

Na opinião dele, com os donativos em mãos, em 30 dias a construção do recinto é concluído. A girafa – uma fêmea, que vai completar um ano - media quatro metros de altura em agosto. Quando adulta pode atingir até 5,5 metros.