Paralisada há 43 dias, a reforma do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) deve ser concluída apenas no próximo ano. A informação é do secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab. A Prefeitura Municipal procura uma empresa interessada em concluir as obras desde que a ZHP Engenharia e Comércio Ltda, vencedora da licitação, desistiu de continuar o serviço.
O secretário afirma que a burocracia para que outra empresa que participou da concorrência assuma os trabalhos faz com que a entrega do prédio, incialmente prevista para novembro, seja estendida para o início de 2004. “Para esse ano é difícil. Temos que esperar as demais colocadas se manifestarem. É quase como se fosse uma nova licitação e temos que aguardar os trâmites legais”, diz Saab.
A reforma do PAI começou no início de agosto, mas problemas como o atraso do pagamento de funcionários da ZHP, que chegaram a entrar em greve, fizeram com que o serviço fosse interrompido antes mesmo de ser suspenso definitivamente.
O prazo para que a construtora Novo Milênio, segunda colocada no processo licitatório, respondesse se aceitaria assumir os trabalhos venceu ontem. O diretor da empresa, Norberto Aparecido Scarmeloto, explica que não pôde aceitar o convite por causa dos valores oferecidos pelo munícipio, cerca de R$ 177 mil. “Nosso custo está muito alto em relação ao que a prefeitura dispõe”, afirma.
Ele acredita que seriam gastos entre R$ 230 mil e R$ 250 mil para concluir os serviços. “O trabalho que falta fazer lá é praticamente todo terceirizado. Para a estrutura metálica, por exemplo, você precisa fazer um orçamento com uma empresa especializada. Tínhamos interesse em aceitar o convite, mas não podemos ter prejuízo”, justifica.
Cronograma
Segundo o arquiteto Luciano Martinez Sciuli, da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), um novo convite já foi enviado para a Zênite Engenharia, que ficou em terceiro lugar na licitação. A empresa informou, no final da tarde de ontem, que ainda está fazendo os cálculos para saber se será possível dar uma resposta positiva à prefeitura.
Sciuli afirma que, caso haja outra recusa, ainda existem mais três construtoras que participaram da concorrência e que, pela ordem de classificação, serão contactadas.
O arquiteto explica que, se ninguém aceitar a proposta, a Seplan encaminhará à Secretaria Municipal da Saúde um indicativo para que seja feita uma nova licitação, o que atrasará ainda mais a retomada das obras.
Ele acredita que os trabalhos levarão dois meses para serem terminados assim que a reforma for retomada. “O restante da obra é rápida. O que está faltando são serviços de contratação externa, como serralheria e cobertura do prédio. Isso é feito fora dali, o que agiliza o processo”, opina.
Enquanto o PAI não fica pronto, a população é obrigada a se deslocar até as unidades básicas de saúde do Núcleo Mary Dota, Jardim Ipiranga e Jardim Bela Vista, responsáveis por absorver as 300 crianças que o Pronto-Atendimento Infantil recebia, em média, diariamente.
A dona de casa Viviane Cristina da Cruz, que mora no Parque Santa Edwirges, afirma que costumava levar o filho de 2 anos para ser atendido no PAI. “Fico preocupada em saber que lá continuará fechado, porque meu filho pode passar mal durante o fim de semana e é mais complicado para ir aos outros lugares”, declara.
A preocupação é compartilhada pela diarista Edna Ferreira Navarro. “Eu precisei de atendimento para minha filha de 9 anos e tive dificuldades. Cheguei na Bela Vista e fui informada de que teria que ir até o Jardim Ipiranga. O PAI faz falta por causa dessa questão da locomoção”, opina.
Para o secretário municipal de Saúde, apesar das reclamações, as unidades básicas têm suprido a falta do PAI. “O atendimento está normal e não está havendo sobrecarga”, diz.
A reportagem entrou em contato com o Conselho Municipal de Saúde, mas foi informada de que o órgão está temporariamente sem presidente e que nenhum dos 28 conselheiros iria se manifestar isoladamente.
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Cronograma das obras
4/08 - Início das obras 14/08 - Funcionários da ZHP Engenharia e Comércio entram em greve 22/08 - Retomada das obras 17/09 - Nova paralisação