Barra Bonita - O vereador Marcelo Cavinato (PT) entrou com uma representação no Ministério Público (MP) de Barra Bonita (68 quilômetro a Sudeste de Bauru) contra o delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Delegacia Seccional de Jaú.
O vereador se diz descontente com o comportamento do delegado durante o inquérito policial que investigou o suposto envolvimento dele com o tráfico de drogas.
Na semana passada, Valencise encaminhou o inquérito também ao MP de Barra Bonita. Em seu relatório, o delegado alega que as provas coletadas durante as investigações teriam deixado evidente o envolvimento do vereador com o tráfico.
Cavinato contesta a informação. Ele disse que teve acesso ao inquérito e que não há nenhuma prova convincente contra ele ao longo do processo elaborado pela Seccional.
Além disso, o vereador acredita que as investigações ganharam conotação pessoal, porque tiveram início logo depois que ele denunciou irregularidades envolvendo uma instituição social comandada por um policial civil da cidade.
Durante o andamento do inquérito, Cavinato chegou a denunciar também uma suposta tortura contra uma das testemunhas. Segundo o vereador, a violência teve como propósito forçar uma confissão que pudesse ser usada contra ele.
Para sustentar sua denúncia, Cavinato exibiu um laudo de exame de corpo de delito fornecido pela equipe de perícias médico-legais de Jaú. No documento, os médicos legistas informam que o preso foi vítima de lesão corporal. Entre os ferimentos estariam lesões na perna e no pé esquerdos, no braço direito e escoriações nas costas.
A denúncia foi feita também à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, a Ouvidoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo, ao Conselho da Magistratura e, finalmente, ao MP.
Essa mobilização teria gerado, na opinião do vereador, uma perseguição política e pessoal contra ele, “com a nítida vontade de denegrir a imagem (do vereador) perante a opinião pública e abafar as denúncias contra a Polícia Civil”.
A declaração consta na representação protocolada no MP e que foi encaminhada ao promotor Luís Fernando Violi. Assim que recebeu a representação, o promotor encaminhou-a ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4), órgão ao qual está vinculada a Seccional de Jaú.
O delegado Valencise informou que até ontem ainda não havia sido comunicado oficialmente sobre a representação do vereador. Ele preferiu não se manifestar a respeito do assunto sem antes conhecer o conteúdo das denúncias.