Diferentemente do Risco-Brasil que de fato existe, que depende de variáveis e análises externas (como por ex. uma alta no preço internacional do petróleo) e que é predominantemente “econômico”, o Risco-Bauru, se é que existe, este depende essencialmente de variáveis e análises internas (bauruenses) e é predominantemente “político”. Notadamente, o cenário político bauruense serve de tese científica (metafísica política) para formar doutores (PhDs) em ciência política principalmente no que diz respeito a ironias e paradoxos, como por exemplo a difícil e ingrata tarefa de entender um pouco o não entendido e desentender o por demais entendido. Por isso, a meu ver, atualmente existem 3 (três) Risco-Bauru que são, não necessariamente nesta ordem, o Poder Legislativo municipal, o Poder Executivo municipal e alguns setores de comunicação de massa (mídia). Na verdade, o que falta à cidade de Bauru é definir com clareza sua “identidade política”, formar uma classe política que tenha “sensibilidade social e amor ao não próximo” e que seja realmente representativa da sociedade como um todo. Por exemplo, é preciso que haja maior participação feminina no quadro político local; é importante que as diversas raças que compõem o tecido social como a negra, a amarela (oriental), a vermelha (indígena) tenham sua representação pública, assim como ocorre com as diversas religiões (igrejas) e, o mais importante, que o “funcionário público” tenha a noção exata do que seja “bem público”, “dinheiro público”, coisa pública”, enfim, formar consciência e a claríssima distinção do que é público (que é de todos) e do que é privado (que é particular), ou seja, o bem-estar de todos (interesse coletivo) contra o bem-estar de cada um (interesse individual), tudo da maneira exatamente contrária ao que vem ocorrendo em Bauru. Trata-se de um “círculo político vicioso”, onde o eleitor desperdiça seu voto e elege um mau político, este por sua vez não tem compromisso algum com quem o elegeu, e por aí se vai, até que ocorra uma nova eleição e aí começa tudo de novo. Também esta situação ocorre devido às regras políticas que aí estão e enquanto não houver uma reforma política séria neste país que contemple entre outros, uma limitação no n.º de partidos, fidelidade partidária e programática, voto distrital misto, esta situação persistirá e o brasileiro continuará a dançar o “samba do político doido”. De qualquer forma, é necessário que a sociedade encontre maneiras de romper com este “círculo político vicioso” e apesar das aparências em contrário o povo bauruense é capaz deste esforço e com o aproximar das eleições municipais (2004) novamente será dado a cada bauruense por sua conta e risco a oportunidade de escolhermos nossos representantes públicos e o Risco-Bauru estará na consciente escolha ou decisão de cada eleitor bauruense.
Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493