10 de julho de 2026
Articulistas

O triste presente, como será visto no futuro?


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Atualmente, com conhecimento de causa, baseados em documentos, pesquisas em jornais, livros e depoimentos de antigos moradores, falamos de homens de grata memória, principalmente dos políticos que em épocas remotas tanto lutaram por Bauru, a exemplo de Azarias Leite, Gerson França, Batista de Carvalho, Gustavo Maciel, Virgílio Malta, Octávio Pinheiro Brisolla, Nuno de Assis, general Lima Figueiredo e outros. Quanto aos bauruenses que no futuro irão se interessar pelos aspectos históricos ligados aos fatos de hoje, isto daqui 30, 40 e 50 anos, será que eles terão subsídios para enaltecer ou criticar a caminhada dos políticos atuais, depois de tantos acontecimentos envolvendo o Legislativo, Executivo e outros setores?

Nos velhos tempos, não existia o poder da comunicação que hoje facilita ao máximo, em termos de conquistas e atendimentos aos pedidos feitos às autoridades estaduais e federais, e tudo era fundamentado até mesmo no sacrifício pessoal. Viagens cansativas e desconfortáveis aconteciam com freqüência, a fim de se conseguir justos melhoramentos à cidade e, conseqüentemente, para o nosso povo. Um interurbano para São Paulo e outros centros demorava horas para ser completado. As rodovias eram de terra e as viagens de trem igualmente levavam muito tempo.

Homens como Azarias Leite, ex-prefeito José (Juquinha) Gomes Duarte, Nicola Rosica, morreram assassinados defendendo seus ideais. Gomes Duarte foi um caso pessoal, porém, poderia até ter sido influenciado por inimigos políticos. Quatro jornais, nos anos 10 e 30 do século XX, tiveram suas redações e oficinas destruídas porque os respectivos proprietários defendiam com idealismo os seus pontos de vista e não se curvavam perante as opiniões contrárias.

Tudo isso nos dias presentes podemos divulgar por meio de dados extraídos de publicações editadas há tempos e informações que nos foram legadas por saudosos historiadores. No entanto, os episódios mais recentes, que começaram com a cassação do vereador Pires, do prefeito Izzo Filho, dos vereadores Paquito e Humberto Santana, das renúncias de Walter Costa e Roberto Bueno Martins, da suspensão dos direitos políticos de Nilson Costa, que por meio de uma liminar retornou à chefia do Executivo, como serão relatados nos anos 40, 50 e 60 etc do século XXI? Aqueles que tiveram seus mandatos suspensos, os que renunciaram, principalmente os denunciantes, de que maneira serão vistos e julgados pelos futuros historiadores? Estes, por sua vez, será que terão meios e condições de tentar comparar alguns deles com os nossos vultos históricos que desde o início do século passado, mercê de atuação impecável, de amor à cidade, de carinho e de muita amizade, se transformaram em verdadeiros benfeitores de Bauru?

O autor, Luciano Dias Pires, é jornalista e historiador.