10 de julho de 2026
Articulistas

Hospital Regional de Bauru: reflexões


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Ao completar um ano de funcionamento, vemos com muita apreensão e preocupação a forma e a velocidade com que esta magnífica estrutura hospitalar está sendo operacionalizada. O nível de funcionamento atual está muito distante daquele para o qual o hospital foi projetado e equipado. Será que novamente estamos diante de mais um desperdício de dinheiro público?

Quando da retomada da construção e compra de equipamentos para a montagem do hospital, vimos que dinheiro não faltou e a obra foi concluída a toque de caixa e inaugurada em ano eleitoral. Justiça seja feita, é um magnífico hospital, mas que utilidade tem um hospital se este não abrigar uma equipe de profissionais competentes e motivados para trabalhar de forma a beneficiar a população? Para isto, é claro, há necessidade de uma dotação orçamentária capaz de custear a folha de pagamento dos funcionários compatível com a responsabilidade, habilidade e dignidade profissional, insumos e medicamentos etc.

Na prática, os recursos são investidos em prédios e equipamentos e persistentemente são “esquecidos” os agentes responsáveis pelo funcionamento de toda a estrutura. Em Bauru, a situação tornou-se caótica porque parte das atribuições que seriam assumidas pelo Hospital Estadual não se tornaram realidade e a população não consegue atendimento pelo sistema público de saúde.

Atualmente, observamos que poucas e apenas cirurgias de pequeno porte são realizadas. Toda esta estrutura está extremamente subutilizada, seu potencial desperdiçado, seus modernos equipamentos envelhecem com o tempo sem atender completamente seus objetivos.

A nossa população tão carente de uma assistência médica de qualidade, antes cheia de esperança e expectativa em finalmente poder receber uma atenção médica de qualidade com a inauguração daquele complexo hospitalar, já dá mostras de descrença.

Muitos dos meus colegas que lá iniciaram suas atividades esperançosos de estarem integrados a um grande projeto de alcance regional, onde poderiam colocar em prática seus melhores conhecimentos, hoje se sentem desmotivados, alguns já até desistiram de lá trabalhar.

Representante da categoria médica na região e, sobretudo, cidadão bauruense, não poderia me omitir de externar minha preocupação, e porque não dizer meu desapontamento com esta situação e aproveitar para fazer um apelo às autoridades de Saúde do Estado, dos municípios de nossa região, ao deputado e médico Pedro Tobias, que muito tem se empenhado para a melhoria da atenção a saúde em nossa região. É urgente que se discutam as causas e quais as necessidades para que este hospital possa realmente prestar o atendimento à saúde a que foi projetado.

O autor, Carlos Alberto Monte Gobbo, é médico urologista e conselheiro do Cremesp 7.º diretor distrital da APM.