11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Aposentados economizam com pesquisa

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Quer economizar no supermercado? Faça como os aposentados: pesquise muito. O trabalho é cansativo e exige tempo, pois envolve uma minuciosa comparação de folhetos de promoções de diversas lojas e disposição para sair de casa rumo às compras duas, três vezes por semana e visitar mais de um supermercado por vez - isso sem contar as feiras livres.

A pesquisa dos aposentados segue metodologia semelhante à adotada pelo Data-ITE, instituto de pesquisas ligado à Instituição Toledo de Ensino (ITE), que calcula mensalmente o preço da cesta básica em Bauru. O resultado final é a soma dos menores valores encontrados nas lojas. Em outubro, a cesta fechou em R$ 201,68, valor 0,6% maior do que o registrado em setembro.

Neste mês, os 31 itens da cesta básica equivalem a 84% do salário mínimo. Em outubro do ano passado, quando fechou a R$ 167,16, seu valor correspondia a 70% do salário. “Justamente pela renda limitada, genericamente falando, os aposentados são obrigados a pesquisar mais”, diz o economista Reinaldo César Cafeo, coordenador do Data-ITE.

Além da renda limitada dos aposentados, Cafeo aponta dois outros fatores fundamentais para a pesquisa aprofundada: os idosos em geral gastam bem mais com remédios e planos de saúde, o que achata ainda mais o orçamento. E também têm tempo de sobra o suficiente para percorrer os supermercados em busca de ofertas e promoções.

O aposentado Nadir Volpi, 65 anos, é um “expert” em pesquisar preços. Apesar de dizer que está diminuindo a freqüência com que vai aos supermercados, ele sabe exatamente onde estão os preços promocionais. Para o aposentado, o segredo é não comprar muita coisa de uma só vez. “Eu não faço compra grande, porque posso incorrer naquele erro: você compra cinco pacotes de arroz por R$ 8,90 cada e no dia seguinte o mesmo pacote cai para R$ 6,90”, aponta.

Na opinião do aposentado, uma das vantagens do consumidor de hoje é a diversidade de marcas e a forte concorrência, que faz os preços oscilarem muito de uma loja para outra. “Antigamente você tinha duas ou três marcas de bolacha para comprar. Hoje você tem um monte, todas de qualidade”, diz.

Volpi, que também vai a feiras próximas de sua casa pelo menos duas vezes por semana, não sabe o quanto é possível economizar por mês com a pesquisa de preços, mas dá outras dicas para uma “boa economia”: verduras e legumes, só em dia de sacolão; se vir um produto que está muito barato, compre mesmo sem estar precisando no momento. “Ele certamente estará mais caro no dia em que você precisar.”

"Caderninho"

Nos supermercados, a maioria dos aposentados admite que pesquisa muito e que visitam mais de um supermercado por dia em busca dos preços baixos. O casal Carlos Camillo, 73 anos, e Benê Mantovani Camillo, 70 anos, calcula gastos de R$ 350,00 mensais com mercado - não fosse a pesquisa, eles gastariam, no mínimo, R$ 30,00 a mais.

Sempre juntos, eles visitam sempre mais de um local por vez, cerca de duas vezes por semana. “Pego as propagandas no jornal, comparo uma com outra, vejo as mais baratas e vou marcando num caderninho”, diz Benê. Camillo aponta o motivo de tanta preocupação com os gastos: “Faz nove anos que não tem aumento”.

Para o aposentado Sílvio Neves Marcondes, 67 anos, a pesquisa de preços é o “ideal” para economizar, apesar de nem sempre ter tempo disponível para tanto. “Tomando por base o que a gente vê em um supermercado, depois em outro, dá para economizar uns 15%, em média”, diz. Sua mulher, Vera Monteiro de Castro Marcondes, 68 anos, é a responsável pela logística. “Eu é que costumo ver os preços no jornal”, afirma.

Por outro lado, há quem não faça questão de muitas pesquisas. “Não tenho paciência para isso”, diz o aposentado José Vicente Neto, 62 anos. Já para Waldemar Burgo, 68 anos, a questão principal é a fidelidade a certos produtos. “Eu não faço pesquisa. Venho pouco ao supermercado e, quando venho, compro sempre as mesmas marcas, aquelas com que já estou acostumado”, diz.

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Ligeiro aumento

A cesta básica em Bauru está 0,6% mais cara neste mês em relação ao mês passado, segundo pesquisa do Data-ITE, órgão ligado à Instituição Toledo de Ensino (ITE). Os 31 itens somam R$ 201,68 em outubro, contra R$ 200,45 registrados em setembro. Em relação a outubro do ano passado, a cesta custa 20,6% a mais.

Dos grupos pesquisados, o de alimentação foi o único em que se verificou baixa: 0,7%. Higiene pessoal subiu 5,5% e os produtos de limpeza doméstica sofreram alta de 3,8%. Entre os produtos que tiveram reajuste, puxam a lista o queijo mozarela fatiado (30,5%), o frango resfriado inteiro (30,2%) e o extrato de tomate (26,5%).

A discrepância entre preços continua alta, daí a necessidade de muita pesquisa. A cebola, por exemplo, pôde ser encontrada de R$ 0,19 a R$ 0,98, variação de 415,8%.

A batata também registrou discrepância elevada: 227,6%. O produto variou de R$ 0,29 a R$ 0,95, dependendo do mercado.