Se você relega o sistema de arrefecimento do motor de seu veículo ao mais completo abandono, tenha certeza: prepare-se para enfrentar desagradáveis problemas e, principalmente, a sofrer um sério desfalque no orçamento doméstico. E a probabilidade disso ocorrer aumenta muito nos dias mais quentes, quando os componentes do conjunto são mais exigidos.
Apesar de ter um nome complicado, o arrefecimento possui uma função simples, mas extremamente importante: refrigerar o motor do calor gerado pelo seu próprio funcionamento. Por isso, esquecer a manutenção do sistema é “dar sopa para o azar”, ou seja, abrir o caminho para o surgimento de danos mecânicos e, com eles, um enorme prejuízo financeiro.
O maior perigo é o superaquecimento do motor, avaria identificável através do indicador de temperatura no painel. “Se o ponteiro aproximar-se do vermelho, há algo errado”, explica Lourival Ortiz de Camargo, instrutor automotivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Bauru.
Além do marcador do painel, outros indícios que o carro “ferveu” são ruídos de ebulição no reservatório destinado ao líquido de arrefecimento. “Isso é facilmente perceptível através da tampa do recipiente, local por onde o vapor será eliminado. Mas, em hipótese alguma, deve-se abri-la nessa situação, pois a pressão fará a água quente jorrar e causar queimaduras graves”, frisa.
Neste caso, pare imediatamente o veículo e não insista em prosseguir viagem. “Rodar com o automóvel nessas condições provocará grandes avarias”, alerta Lourival. Entre elas, o trincamento do chamado cabeçote do motor, dano oneroso para reparar. “Efetuar tal conserto em um motor 16 válvulas custaria mais de R$ 2 mil”, adverte o instrutor.
Outra pista de danos no sistema é a rápida diminuição do nível no reservatório. “Se o dono do veículo perceber que toda semana ele tem de completar, há algo errado. Vale até checar a coloração do óleo do motor. Se estiver esbranquiçado, é sinal de vazamento interno”, salienta Lourival.
Por isso, para evitar o risco de superaquecimento ou que o motor funcione fora da temperatura ideal, o sistema de refrigeração necessita de uma série de cuidados.
O primeiro deles é checar, semanalmente, o nível do líquido de arrefecimento. Mas fique atento a um detalhe: faça isso sempre com o motor frio, pois quando o mesmo está quente a água está sob pressão.
Igualmente importante é o líquido de arrefecimento ser, obrigatoriamente, composto por água e um aditivo, ponto de origem de vários problemas. Muitos motoristas adicionam apenas água no reservatório, ignorando o aditivo, que possui funções importantes para o sistema.
“Além de ser lubrificante, ele evita a formação de ferrugem e eleva a temperatura de ebulição da água, ou seja, permite que a temperatura interna do motor atinja maiores valores sem que ela atinja o ponto de fervura”, explica.
Lourival acrescenta que completar apenas com água o nível do reservatório pode gerar futuras dores de cabeça. Além de provocar a oxidação de componentes do motor, a falta do aditivo pode emperrar a válvula termostática, componente que controla a passagem de água no sistema. “Com isso, corre-se o risco de não haver circulação de água e o motor pifar”, alerta.
A marca do aditivo também é importante. Segundo Lourival, o ideal é optar sempre a especificada pelo fabricante. “Para os que quiserem saber qual seu carro deve usar, é só checar o manual do proprietário. Se você não o possuir, qualquer concessionária poderá lhe informar”, afirma.
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Custo benefício
O instrutor automotivo do Senai/Bauru, Lourival Ortiz de Camargo, chama a atenção para o fato de que a manutenção periódica e preventiva do sistema de arrefecimento é uma das maiores relações de custo benefício para os proprietários de automóveis. “As dores de cabeça que ele pode causar são tantas que vale a pena gastar em revisões semestrais a fim de fugir de prejuízos”, pondera.
O técnico compara que uma limpeza geral dos seus componentes chega a custar cerca de R$ 60,00, valor extremamente inferior ao que um dono de veículo teria de gastar com as conseqüências mecânicas de um motor superaquecido. Mas Lourival adverte: somente profissionais especializados devem executar tal serviço. “É uma operação que envolve altas temperaturas”, justifica o instrutor.
Outro procedimento importante é a limpeza externa do radiador, componente cujas aletas costumam impregnar-se de insetos e outros detritos trazidos pelo vento. “Para isso, basta passar ar comprimido no sentido do motor para fora a fim de retirá-los”, conclui Lourival.