07 de julho de 2026
Auto Mercado

Volks quer voltar a ser líder com Fox

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Não é à toa que o presidente nacional da Volkswagen, o inglês Paul Fleming, considerou o mais recente lançamento da montadora para o mercado brasileiro, o Fox, como o mais importante dos últimos anos. Afinal, é com ele que a fábrica de origem alemã pretende reconquistar a liderança das vendas no País, posto em que permaneceu por décadas e atualmente é ocupado pela General Motors.

Mas como a Volkswagen pretende conseguir tal proeza? É o que o diretor nacional de vendas e marketing da montadora, Paulo Sérgio Kakinoff, revela em entrevista concedida ao AutoMercado&Cia durante o lançamento do Fox à imprensa especializada, na semana passada, em Curitiba (PR).

Nela, o executivo conta as razões que levaram a Volks a ceder terreno à concorrência e a destinar ao Fox a missão de recuperá-lo, além de descartar a possibilidade do Gol ser “aposentado” pelo novo compacto da montadora. Confira os principais trechos:

JC - A Volkswagen já reinou absoluta no mercado brasileiro por várias décadas, mas atualmente perdeu a liderança e ocupa o terceiro lugar nas vendas do País. Quais as causas dessa queda e o que o faz acreditar que o Fox é decisivo para reconquistar o posto de número um? Kakinoff - Fomos líderes por 42 anos consecutivos, mas perdemos o posto por um motivo bastante simples de explicar, mas complexo de se resolver. Dos seis segmentos de mercado em que a Volks atua, ela é líder em cinco. Ocorre que o mercado de automóveis atual tem pelo menos dez segmentos diferentes importantes.

Claramente, há algumas lacunas na Volkswagen em nosso portifólio de modelos por não estarmos presentes em alguns desses segmentos. O Fox é o primeiro passo no sentido de se preencher essas ausências, pois é uma oferta de um veículo em uma faixa de preço - entre R$ 20 mil e R$30 mil - onde não tínhamos representantes e a concorrência investiu bastante.

Por isso, o grande desafio da Volkswagen nos próximos anos é lançar produtos em segmentos significativos e em franco crescimento onde atualmente ela não atua e a concorrência já está presente.

JC - Antes do lançamento do Fox, as especulações do mercado davam conta que o modelo seria o sucessor do Gol. Quais as chances disso vir a ocorrer? A existência do campeão de vendas da Volks está ameaçada? Kakinoff - Nos sentimos muito confortáveis para afirmar que o Gol, se não for o carro mais importante da história da indústria automobilística brasileira, é um dos mais. Historicamente, em termos de volume, ele é o recordista desde meados do ano passado, quando superou as vendas do Fusca.

Atualmente, de cada dois carros exportados do Brasil, um é Gol. O modelo fabricado no País é líder no México, Argentina, em praticamente toda América Latina, no mercado chinês e agora está conquistando outros no Oriente Médio. Além disso, temos um volume crescente de vendas do veículo a ponto de começarmos este ano com 15% de participação total de mercado e mantermos, hoje, cerca de 20%.

Esse crescimento só consolida a liderança do modelo, que há 17 anos é o carro mais vendido do Brasil. Não faria sentido para a Volkswagen substituir este veículo por outro, como o Fox, porque ambos se destinam a públicos completamente diferentes.

Enquanto o Gol é para aqueles que buscam atributos mais racionais - custo/benefício, valor de revenda e baixo consumo de combustível -, o Fox é voltado para os consumidores guiados pela imagem, pelo design e versatilidade de utilização.

JC - Então pode-se afirmar com segurança que a Volkswagen não pensa em acabar com o Gol? Kakinoff - Em hipótese alguma. Pelo contrário. O Gol tem vida muito longa e está dentro de nossos planos por muitos anos.

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Dirigibilidade é destaque

Para posicionar o Fox no mercado brasileiro, numa faixa entre o popular Gol e o mais sofisticado Polo, a Volkswagen tratou de aproveitar o que ambos tinham de sobra - excelente dirigibilidade - e melhorou onde ambos precisavam - mais espaço.

O resultado é um carro que faz jus a seu slogan de marketing: “Compacto para quem vê. Gigante para quem anda”. A combinação da posição de dirigir, facilitada pelo volante com regulagem de altura e profundidade, com o espaço no habitáculo tornaram o Fox um veículo fácil e confortável de guiar.

O Fox tem aparência visual moderna, com traseira curta e truncada e uma dianteira na qual o pára-brisa termina sobre o capô, na altura da metade da roda dianteira. O modelo tem capô alto, com dois fortes vincos e faróis transparentes.

Uma grande inovação do Fox é a localização do porta-luvas, que deixa de ser convencional. Por se tratar de compartimento habitualmente ocupado por documentos e manual do proprietário, ou ainda de outros objetos que não se pretende mostrar e que não precisam estar o tempo todo à mão, o porta-luvas foi instalado numa gaveta embaixo do assento do motorista.

O Fox chega ao mercado em três versões. A City, de entrada, tem motor 1.0 8V Total Flex ou gasolina. A versão Fox Plus tem quatro opções de motor - 1.0 8V a gasolina e Total Flex e 1.6 8V a gasolina e Total Flex - e alguns itens de série a mais que o City: direção hidráulica, desembaçador traseiro, limpador/lavador do vidro traseiro e pára-choques na cor do veículo, entre outros.

A versão topo de linha Sportline tem as mesmas quatro opções de motorização do Fox Plus e soma, nos itens de série, os seguintes equipamentos: espelhos retrovisores e maçanetas na cor do veículo, farol/lanterna de neblina, pára-brisa degradê, pintura preta na soleira, rodas de liga leve de 15 polegadas, pneus 195/55 R15, abertura interna e elétrica do porta-malas e banco traseiro com ajuste longitudinal.