08 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando: Um 'opaleiro' diferente

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Que o brasileiro é apaixonado por automóveis, seja ele um “Fusquinha” ou o mais moderno importado, isso todo mundo já sabe. Entretanto, o que costuma diferenciar um dono de veículo de outro é o tamanho de sua dedicação e, principalmente, o carinho nutrido pelo carro, que não raro chega às raias do mais completo e indisfarçável ciúme.

Por isso, é surpreendente quando um “amante” de determinado modelo de automóvel confessa não ter tal sentimento pelo mesmo. Este é justamente o caso do autônomo bauruense Roberto Augusto, 31 anos. Proprietário de um raro Opala 1971 série Especial, ele jura não ser ciumento em relação ao carro. “Do mesmo jeito que gosto, outros têm o direito de curti-lo”, declara.

Prova de sua “democracia” com o Opala é que Roberto revela não ver problema algum em deixar seus amigos dirigirem ou darem uma “voltinha” ao comando do veículo. “É uma paixão que outros merecem vivenciá-la”, destaca o autônomo.

E quem já teve o privilégio de guiá-lo certamente não se arrependeu. Por fora ou por dentro, o estado de conservação e originalidade do “Opalão” deixa muitos automóveis mais novos “comendo poeira”. Graças ao cuidado de Roberto, que pessoalmente cuida da sua limpeza e manutenção, e de um “banho” completo de tinta, o veículo, sem exagero, parece zero quilômetro.

Externamente, “salta” aos olhos a impecabilidade do Opala “trintão”. A começar pela frente com os tradicionais faróis redondos e setas de direção instaladas abaixo do enorme paralama cromado, mesma posição das luzes de ré na traseira, que conta com lanternas de freio quadradas. Também chamam a atenção as calotas cromadas, as inscrições laterais “2500 Chevrolet” (em alusão a seu motor) e o fato de ser quatro portas.

Por dentro, o “Opalão” de Roberto também dá show de originalidade. Tanto que, ao entrar no veículo, a impressão que se tem é que ele acabou de sair de fábrica. Lá estão o painel, o volante, o câmbio de três marchas na coluna de direção, o “radinho” e os bancos, até mesmo o marcante traseiro inteiriço.

Já embaixo do capô, o carro é equipado por um seis cilindros pintado de vermelho, uma característica especial do modelo. “Os dessa cor são importados, já os verdes são nacionais”, explica Roberto.

Apesar de considerar-se um apaixonado pelo veículo da Chevrolet, o autônomo revela que o Opala 1971 praticamente “caiu” em suas mãos. “Foi obra do destino”, frisa. Ele conta que, há cerca de três anos, uma prima de sua mãe, que não sabia dirigir, adquiriu o automóvel para auxiliar uma pessoa.

Com isso, o “Opalão” foi repassado à família de Roberto, o único na ocasião a não estar “motorizado”. “Acabei ganhando-o de presente”, recorda. Desde então, o bauruense cuida dele com todo carinho e o utiliza diariamente. “Faço tudo com ele na cidade e, por isso, resolvi reformá-lo. Se já durou 30 anos, agora vai resistir mais 30”, prevê.

E é justamente a resistência, conforme Roberto, a maior qualidade do seu Opala. “Atualmente, há carros com cinco anos de idade que já estão um caco. Esse aqui tem mais de 30 e dá olé em muitos mais novos”, orgulha-se o autônomo.

Apesar disso, ele enfatiza que jamais imaginou na vida tornar-se dono de um Opala e, ainda por cima, tão antigo. “Mesmo gostando tanto do modelo, nunca pensei que teria o privilégio de ser proprietário de um deles”, destaca Roberto.

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Nostalgia

Propostas tentadoras para vender o Opala também nunca faltaram no cotidiano de Roberto. Foram tantas que ele até arrisca a quantidade. “Desde que estou com ele, já recebi mais de 30 ofertas. Uma vez um rapaz de moto me parou e perguntou um monte de coisas sobre o veículo e, é claro, se queria me desfazer dele. Fora os que tocam a campainha em casa com o mesmo objetivo”, conta.

Apesar disso, ele garante que não o vende por três motivos. “O primeiro é que ficaria a pé”, diz Roberto, rindo. “O outro é uma promessa da namorada que ficaria brava comigo, pois ela adora o veículo”, acrescenta o autônomo.

E o terceiro, talvez o mais importante, é a ligação sentimental com o automóvel. Roberto conta que sua admiração pelo carro começou a despontar quando ainda era “molecote”. Nessa época, seu pai - outro fã confesso do veículo - sempre o levava para passear no carro. “Lembro, como se fosse hoje, quando ele chegava na garagem e eu saía apoiado entre os bancos”, relembra.

Com o tempo, o que era apenas admiração virou paixão. “É um veículo que todos conhecem e faz parte da história de muitas pessoas. Gostar dele é algo inexplicável e uma forma de lembrar dos bons tempos de criança”, conclui o autônomo.

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Perfil

Nome: Roberto Augusto Idade: 31 anos Profissão: Autônomo Hobby: Mexer com informática Cor favorita: Verde Signo: Escorpião Time do coração: Corinthians

Para quem você nunca daria carona no seu “Opalão”? “Para algum inimigo. Comigo, ele não teria vez.”

E quem você faria questão de levar como passageiro? “Minha família.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “Os apressadinhos.”

Que nota você daria aos motoristas de Bauru? “Sete.”