08 de julho de 2026
Gastronomia

Pato da f

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Come-se muito bem no Pará. A variedade e a “sustância” da cozinha amazônica é mais um dos fatores que atrai tanta gente ao Círio de Nazaré, um espetáculo de cores, fé e delícias gastronômicas.

A festa é recheada de cheiros e sabores, incluindo o prato mais tradicional dos paraenses: o pato no tucupi. O prato forte, símbolo das grandes confraternizações como é o almoço do segundo domingo de outubro, está incorporado nos hábitos gastronômicos dos paraenses.

É uma comida nobre, forte, carregada de cheiros e temperos, disputada em todas as casas e restaurantes. No Pará, no dia do Círio, alguém sempre estará pagando o pato. Ou o anfritrião ou um parente que mora fora e vai a Belém para agradecer com os parentes as bençãos de Nossa Senhora de Nazaré.

O hábito está tão arraigado à festa que já chegou a faltar pato para tanta gente - somente durante o Círio mais de 2 milhões de pessoas se reúnem nas ruas de Belém - que a Sadia lançou uma campanha inusitada, oferecendo para quem não tinha pato, o “peru do Círio”.

Jogada de marketing que tem alguma lógica, pelo fato do Círio representar para o bravo povo paraense muito mais do que o Natal. Todas as casas, todos os prédios, todos os estabelecimentos comerciais saúdam a Virgem de Nazaré decorando suas fachadas e colocando na mesa o melhor de sua variada gastronomia que vai muito além do pato.

O Pará é repleto de sabores que podem ser desfrutados em restaurantes premiados, como o “Lá em Casa”, hoje em dois endereços, na avenida Governador Malcher e na Estação das Docas. Ao contrário de outros Estados, no Pará pratica-se a verdadeira culinária brasileira, sem interferência da colonização estrangeira.

Uma cozinha regionalíssima que incorpora aos peixes, carnes e frutos do mar, muitas ervas, temperos e a mandioca brava - de onde é retirado o tucupi - resultando num sabor especial às alquimias.

O tucupi, essencial nas receita paraenses demora dias para ser obtido. Portanto a dica é comprar o suco amarelo extraído da mandioca brava pronto em casas de produtos do Norte.

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Pato no tucupi

• 2 litros de tucupi

• 3 dentes de alho espremidos

• 2 maços de folhas de jambu

• 1 cebola picada

• 1 pato limpo cortado em pedaços

• Sal e pimenta-do-reino a gosto

Tempere o pato com o alho, a cebola, sal e pimenta-do-reino.

Aqueça o forno em temperatura média. Coloque o pato numa assadeira com um pouco de óleo e leve ao forno para dourar.

Numa panela, coloque o tucupi e os pedaços de pato assado. Leve ao fogo alto até ferver.

Abaixe o fogo e cozinhe até ficar macio.

Acrescente mais tucupi, se necessário. Junte as folhas de jambu e cozinhe até que os talos fiquem macios. Sirva com farinha de mandioca.

*O Pão de Açúcar vende pato congelado.

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Tacacá

• 4 xícaras de água

• 1/2 xícara de polvilho azedo ou goma de mandioca

• 1 colher de chá de sal

• 500 g de camarão salgado (seco)

• 5 folhas de chicória

• 4 dentes de alho espremidos

• 4 pimentas-de-cheiro

• 2 maços de jambu

• 2 litros de tucupi

Ponha o tucupi numa panela com o alho espremido, o sal, a chicória e as pimentas. Leve ao fogo. Quando ferver, abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar por 30 minutos.

À parte, cozinhe o jambu até ficar tenro. Retire do fogo, escorra e reserve. Lave os camarões e leve-os ao fogo numa panela com quatro xícaras de água.

Deixe ferver por cinco minutos. Retire a cabeça e a casca.

Numa panela, misture o polvilho com a água dos camarões, leve ao fogo e mexa até obter um mingau.

Sirva numa cuia com uma concha de tucupi, um pouco do mingau, algumas folhas de jambu e os camarões.

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Caruru

• 1 xícara de azeite-de-dendê

• 1/2 xícara de castanha de caju torrada

• 1/2 xícara de amendoim torrado sem casca

• 2 colheres de sopa de vinagre

• 2 colheres de sopa de azeite

• 1 1/2 quilo de quiabo picado

• 250 g de camarão seco

• 1 litro de água ou de caldo de galinha

• 6 ramos de coentro

• 5 ramos de salsa

• 4 ramos de hortelã

• 3 tomates

• 3 dentes de alho

• 2 cebola grandes

• 1 pimentão verde

• Sal e pimenta-malagueta a gosto (opcional)

Bata no liquidificador a cebola, o tomate, o pimentão, a hortelã, o coentro, a salsa e o alho espremido. Reserve. Lave o copo do liquidificador e bata as castanhas, o amendoim e o camarão descascado. Reserve.

Leve ao fogo alto, numa panela grande, a água ou o caldo de galinha, meia xícara de azeite-de-dendê e o quiabo.

Quando ferver, acrescente o creme de cebola e cozinhe por 20 minutos mexendo às vezes.

Junte o vinagre, o creme de camarão, o azeite e o dendê restante e misture.

Abaixe o fogo e cozinhe por mais 20 minutos, mexendo às vezes.

Ponha mais água, sal e a pimenta e sirva com farinha de mandioca.

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Tamuatá no tucupi

Pegue o tamuatá, peixe cascudo típico dos rios da Amazônia, lave bem e tempere com sal e limão.

Cozinhe no tucupi com algumas folhas de chicória e alfavaca.

No final, acrescente o jambu cozido. Sirva com arroz branco, farinha d’ água e pimenta-de-cheiro a gosto.

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Casquinha de caranguejo

Retire a carne do caranguejo cozido em água e sal, refogue com azeite, cheiro-verde, cebola, tomate, limão e pimenta-do-cheiro.

Coloque dentro do casco do caranguejo e cubra com farofa de farinha d’ água.

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Unha de caranguejo

Cozinhe as patas grandes de caranguejo e tempere com sal, alho e limão. Envolva com massa de batata, farinha de trigo e ovos, coloque um pouco de carne desfiada do caranguejo. Frite à milanesa em óleo bem quente.

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Pirarucu no leite de coco

Cozinhe em leite de coco as postas de pirarucu seco, já livres do sal, e sirva com arroz branco e farinha d’água. Também pode fazer com leite de castanha do Pará.

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• Em Bauru funciona a Casa do Norte Cariri, com produtos típicos do Norte e do Nordeste brasileiro. Fica na avenida Marcos de Paula Raphael, 11-1, telefone (14) 32773613.

• O tucupi só é encontrado em casas especializadas e no Mercado Central de São Paulo.

• Receitas Paulo Martins, autor do livro “Cozinha Paraense” (Editora Senac) e proprietário do “Lá em Casa”.