07 de julho de 2026
Regional

Sem produção, falta comida à mesa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O dia-a-dia dos acampados é uma luta pelo prato de comida. Sem dinheiro suficiente para bancar a comida diária, grande parte deles se alimenta de doações que nem sempre chegam na hora em que mais precisam. Desde o início do ano, o governo federal distribuiu, em média, menos de uma cesta básica por família, num total de 174 mil cestas, de acordo com o Ministério da Segurança Alimentar e Combate à Fome.

No acampamento do grupo Terra Nossa, segundo o coordenador Celso Costa, o estado é de miséria. “Desde o início de 2003 recebemos duas cestas básicas por família. Hoje, vivemos de arrecadação feita pelos próprios acampados nos bairros e na cidade de Bauru.”

O acampamento de Presidente Alves está iniciando uma horta comunitária para consumo interno. “O Lar Santa Maria de Pirajuí envia verduras e legumes para nós. Os moradores da cidade ajudam, mas cestas básicas do governo, eles não receberam.”

Em Guarantã, os acampados se alimentam de doações de fazendeiros. “Alguns acampados fazem serviço na roça da vizinhança e ganham algum dinheiro.”

No acampamento em Itapuí, a alimentação esteve garantida por um tempo, porque na fazenda os acampados haviam cultivado a lavoura e tinham algum recurso da venda dos produtos.

Segundo o líder do acampamento, Geraldo Luciano Soares Oliveira, no local chegaram a ser colhidas 4 mil sacas de milho. “Antes da liminar de reintegração de posse.”

Ele lembra que feijão, mandioca, quiabo e outras leguminosas foram cultivados, mas a liminar acabou prejudicando as culturas. “Os funcionários da empresa que conquistou a liminar, entraram com trator e destruíram tudo.”

Um acordo feito entre os sem-terra e uma empresa que arrendou a fazenda para corte de eucalipto garante R$ 800,00 mensais para ser dividido entre todos os acampados, além de uma cesta básica por família.