09 de julho de 2026
Polícia

Presos suspeitos de matar massagista

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Dois suspeitos de participar da morte da massagista Marta Karen Glaneri, 21 anos, que foi baleada no início do mês passado dentro da casa que morava e trabalhava, no Jardim Santana, e morreu no hospital 23 dias depois, foram presos ontem. A Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias dos suspeitos, a pedido da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que está investigando a possibilidade de a moça ter sido assassinada a mando do beneficiário do seguro de vida que ela possuía.

O contrato de duas apólices, de R$ 300 mil cada uma, foi assinado em julho do ano passado. Ele garantiria ao beneficiário – cujo nome não foi divulgado pela polícia – mais de R$ 2 milhões, já que o valor do seguro dobra em alguns casos e ainda prevê outras garantias, segundo levantou o JC.

O delegado titular da DIG, J.J. Cardia, também estaria apurando a possibilidade de a assinatura da massagista nas apólices ter sido falsificada. Por enquanto, para não atrapalhar as investigações, ele prefere não se manifestar sobre a possibilidade de o seguro de vida ter motivado o crime e apenas confirma a participação de quatro pessoas no crime.

“Dois entraram na casa e dois ficaram no carro. Assim que houver mais provas, será solicitada a prisão temporária dos outros dois”, limita-se a dizer Cardia. Ele não informou se algum deles é o beneficiário do seguro e nem quais as provas tem contra os rapazes presos.

Marcos Aurélio Fernandes Barcas e Anderson Eduardo Batista de Jesus, que tiveram a prisão temporária decretada, ontem foram recolhidos à Cadeia Pública de Avaí. Eles negaram participação no assassinato.

Todos os envolvidos que tiverem a participação comprovada na morte da moça responderão a processo por homicídio qualificado, devido à motivação torpe do crime e pelo fato da defesa da vítima ter sido impedida. Nesse caso, podem pegar de 12 a 30 anos de reclusão.

A pena pode ser acrescida em até seis anos, se ficar configurada a participação dos quatro ou cinco no caso, pois os acusados podem responder também por crime de formação de bando e quadrilha com emprego de arma.

O tempo de reclusão pode ser estendido ainda mais se a relação do homicídio com o seguro também ficar comprovada. Porém, a quantidade de anos a mais na pena não foi informada por Cardia, já que a suspeita não foi confirmada e o crime não foi tipificado.

Além da polícia, a seguradora também apura as circunstâncias do crime. Por essa razão, informações extra-oficiais dão conta de que o valor da apólice não teria sido liberado ao beneficiário.

“No próprio contrato a seguradora reserva o direito de investigar. A indenização não sai antes de 30 dias. Em Bauru não existem estatísticas de golpes. Não conheço nenhum caso”, diz um corretor de seguro consultado pelo JC e que preferiu não ter o nome divulgado.

____________________

Vítima foi baleada dentro de casa

A massagista Marta Karen Glaneri, 21 anos, foi baleada dentro da casa onde morava e trabalhava, no Jardim Santana, na tarde do dia 2 de outubro. Duas testemunhas disseram à polícia que dois homens chegaram à casa de massagem e, após serem atendidos, um deles sacou uma arma e atirou contra a moça. Eles já teriam procurado pela vítima um pouco antes, porém não a encontraram.

Gravemente ferida, Glaneri foi levada ao Pronto-Socorro Central, de onde foi transferida para o Hospital de Base. Ela passou por uma cirurgia e permaneceu internada em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital por 23 dias. A massagista morreu na madrugada do último dia 25.

No dia da ocorrência, levando em consideração as circunstâncias do fato, tanto a Polícia Civil quanto a Militar descartaram a possibilidade da vítima ter sido baleada numa tentativa de assalto, já que nenhum objeto da casa foi levado e os homens atiraram logo que entraram. A dupla, segundo as testemunhas, fugiram em um Gol prata que estaria com outra pessoa ao volante.