09 de julho de 2026
Regional

CR de Jaú recebe os primeiros presos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O Centro de Ressocialização (CR) de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), embora não tenha sido inaugurado oficialmente, já está com 15 presos. As transferências começaram na sexta-feira passada e outras devem ser feitas nos próximos dias. O CR tem capacidade para 220 presos de baixa periculosidade, que estejam aguardando julgamento ou que já estão condenados a cumprir penas em regimes fechado e semi-aberto.

Do total já transferido, 11 saíram da Cadeia Pública de Jaú e quatro estavam no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Bauru.

A triagem para a escolha dos presos que foram ou ainda serão transferidos para o CR começou em junho.

Segundo explicou a diretora geral da unidade, Maria de Lourdes Kerche do Amaral, só estão sendo levados para o CR os presos que apresentam boas possibilidades de recuperação.

Ou seja, que não tenham nenhum tipo de envolvimento com facções criminosas, que não tiveram contato com presos “experientes” e que tenham forte vínculo familiar.

De acordo com a diretora, a recuperação de presos com esse perfil é mais rápida. Segundo ela, a própria iniciativa do governo de concentrar no CR apenas presos de baixa periculosidade evita que a prisão se transforme em uma faculdade para o crime.

Maria de Lourdes informou ainda que o local não possui forte esquema de segurança, como acontece nos demais sistemas prisionais. No CR, os presos não têm celas. Eles dormem em quartos e as portas ficam abertas o tempo todo. A diretora disse ainda que é proibido o uso de linguagem de cadeia ou de penitenciária dentro do estabelecimento.

O trabalho de recuperação dos presos é feito em conjunto com a Organização Não-Governamental (ONG) Pró-Cidadão Jaú. O Estado cede as dependências, faz a segurança do local e a ONG colabora na área assistencial, providenciando advogado, assistente social e dentista para os presos, entre outros serviços.

Antes de vir para Jaú, Maria de Lourdes comandava o CR de Lins. Com base em sua experiência anterior, ela garante que a parceria entre Estado e a sociedade civil, representada pelas ONGs, tem dado certo.

A diretora informou que de início o CR deverá absorver toda a demanda da cadeia de Jaú, Dois Córregos, Bariri, Igaraçu do Tietê e Barra Bonita. No entanto, ela lembrou que isso não significa que os locais serão desativados. Mas deixarão de operar acima de suas capacidades, como acontece atualmente.

Ainda não há previsão de quando o local será oficialmente inaugurado. Segundo Maria de Lourdes, falta apenas resolver um “probleminha” com a rede de esgoto do CR.

Assim que a questão for resolvida, ela calcula que o estabelecimento deverá receber de dez a 15 presos por semana.

A longo prazo, a idéia é levar para Jaú pessoas que estão presas em cadeias da região, mas que tenham vínculo com a cidade.

Sem condições

De todas as cadeias da região que devem ser beneficiadas com a entrada em funcionamento do CR, apenas a de Jaú deverá ser fechada.

Ainda não há nenhuma confirmação oficial sobre isso, mas o delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Seccional de Polícia de Jaú, já tem até planos para o local.

O prédio, segundo ele, passaria a ser ocupado pela Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise).

Na opinião do delegado, a cadeia de Jaú não tem mais condições de funcionamento. O fato dela estar situada na área central da cidade representa um perigo para a população, segundo Valencise.

Hoje, a cadeia está com 130 presos. Mais do que o dobro de sua capacidade, que é de 60 presos.