10 de julho de 2026
Expo Bauru 2003

'Uma arrrrrroba de abraço!' Vai começar o leilão...


| Tempo de leitura: 4 min

Para quem não vive o mundo rural, de exposições e criações de animais, não conhece plenamente um dos aspectos mais relevantes desse universo: o leilão. Nesses eventos, são vendidos ao maior lance os melhores animais de cada raça. Hoje, às 20h, tem início na Grand Expo Bauru 2003 o Leilão Dolly-Caruana, em que ovinos e equinos serão oferecidos a criadores.

O leiloeiro Aníbal Ferreira, da Leilonorte, entra daqui a pouco no tatersal do Recinto Mello Moraes para convencer criadores a comprar as ofertas de Paulo Farah e convidados. Antes disso, porém, ele falou ao JCnet sobre sua profissão, que já exerce por 12 anos. Leia os principais trechos da entrevista.

JCnet – A quanto tempo você é leiloeiro? Aníbal Ferreira – Eu trabalho com leilões desde 1986. Comecei na Programa Leilões, saí da Programa e fui pra Londrina e abri um escritório lá. Eu 1991, comecei a leiloar. Antes disso, eu trabalhei no escritório, manejo e principalmente fazendo pista.

JCnet – O que te levou a ser leiloeiro? De onde veio a vontade? Aníbal – Primeiro que, quando se é pisteiro, há aquela tendência igual ao menino que joga bola e o pai é jogador. Você está ali em baixo na pista e quer ir lá pra cima leiloar, porque começa a se espelhar nos leiloeiros. Até porque é uma posição de destaque. Aí juntou um pouco da aptidão. Eu sempre fui muito falante, meus pais eram agropecuaristas em Portugal e se tornaram comerciantes no Brasil. Então, minha criação sempre foi voltada à área do comércio. A tendência de comerciante, de falador, de ajeitar... Em uma ocasião, a Programa criou uma oportunidade. Um leiloeiro ficou doente e faltou no leilão. Aí falaram "o Aníbal é o que mais fala, vamos colocar ele hoje pra não ficar sem ninguém". Eu embalei e não parei mais.

JCnet – Quais as técnicas para se narrar um leilão? Aníbal – Primeiro, eu não entendo o leilão como uma narrativa. Nem como locução. Porque não se transmite fatos que estão acontecendo. Para ser leiloeiro, tem que entender primeiro que leilão é interação: pessoas que, de um lado, tem o produto e, de outro, tem o recurso e querem fazer um investimento nesse produto. Aí você vai usar seu poder de convencimento, de persuasão, para descrever, com o seu conhecimento, os animais que estão a venda no dia. E tentar conseguir os melhores preços.

JCnet – Você tem algum jargão? Aníbal –Sim, hoje eu não começo nenhum leilão sem dizer "Uma arrrrrroba de abraço". Aí todo mundo brinca, de maneira gostosa, me chama "Ô arroba, tudo bem".

JCnet – Há diferenças de vestimenta, de comportamento entre leilões por tipo de animal? Cavalos, bois, ovinos? Aníbal – A gente usa roupa comum, não tem segredo, sempre calça jeans ou sarja, camisa, bota. Em alguns leilões, tidos como de elite – os de televisão (virtuais) e alguns à noite, em Uberaba, essas coisas –, se costuma usar terno e gravata. Como eu sou meio diferente, sempre tentando criar alguma coisa, acho que às vezes não tem muito a ver fazer leilão de terno e gravata. Não há terno e gravata que se aproxime do mercado de cavalos. Eu estive nos Estados Unidos e lá o apresentador de cavalos usa chapéu de cowboy americano, camisa branca e blaser, calça jeans e bota. É o estilo, digamos, chique, elite, do cowboy. Aí, quando eu entrei no mercado de leilões de cavalos, muito disputado, além de ter meu jeito próprio de leiloar, característico de cada leiloeiro, resolvi me identificar mais com o público. Uso o chapéu e o blaser, passei a entrar na pista, puxar um animal, coisas que não se fazia. Como se trata de venda, procuro ser informal, tento criar uma afinidade com o criador. E está dando um resultado muito interessante, agradável.

JCnet – O que está achando da Expo 2003? Aníbal – Eu gosto muito de Bauru, fiz muito leilões aqui quando eu era pisteiro. Fiz muitos amigos também. Hoje, o parque e a estrutura cresceram demais. A região virou referência, até por conta de sua posição geográfica, e as raças passaram a ranquear a pista de Bauru. Por isso, inclusive, o leilão de hoje tem ovinos. Já era referência em cavalos, em Nelore, já foi em europeu, e pode agora, com essa estrutura toda, ser de ovinos.