Um dos grandes destaques da Expotécnica deste ano foi a palestra “Aspectos técnicos e econômicos do manejo intensivo de pastagens”. Ministrada pelo professor Moacyr Corsi, titular do departamento de zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de Piracicaba, o evento atraiu grande número de participantes e mostrou que, utilizando técnicas corretas de manejo na pastagem, na pecuária de corte é possível obter lucro líquido em torno de R$ R$ 570,00 por hectare (ha).
“Na pecuária de corte intensiva, o lucro líquido obtido é de R$ 575,00 por hectare, já contabilizados os custos de produção. Além disso, o risco é baixíssimo e a média da taxa interna de retorno é de aproximadamente 18,3% ao ano. No caso específico do gado de leite, há um criador no Norte do Paraná que tem uma rentabilidade por hectare de R$ 3.200,00 ao ano”, destaca Corsi.
De acordo com ele, este último resultado é muito superior ao que se pode obter em qualquer atividade agrícola, que utiliza as mais modernas técnicas deste século, contra as técnicas de dois séculos atrás aplicadas geralmente na pecuária.
Durante a palestra, realizada na última quarta-feira no Recinto Mello Moraes, o professor falou sobre os parâmetros que o pecuarista deve seguir para avaliar o sistema de produção animal e as tecnologias que estão sendo utilizadas na propriedade. “Sem parâmetros, não é possível para o pecuarista investir em novas tecnologias, porque ele sempre achará que está gastando demais”, aponta Corsi.
Os erros mais freqüentes cometidos pelos pecuaristas e que inviabilizam o crescimento e a melhora dos negócios também foram amplamente discutidos durante a palestra do professor da Esalq. Segundo Corsi, os cuidados e investimentos na produção de pastagem devem começar a partir de 20 dias após o início das chuvas.
“Neste período, os pastos já devem estar em alta produção, sustentando a lotação que são capazes durante o verão. Mas na maioria das vezes, os pecuaristas fazem isso a partir de dezembro. Se considerarmos que contamos com cerca de seis meses de pastos bons, que é quando o criador pode engordar bem os animais e tirar bastante leite a um custo bem barato (porque a alimentação está vindo do pasto), ao iniciar esse processo só a partir de dezembro ou janeiro perde-se cerca de 50% da capacidade de produção econômica da pastagem, que em condições normais corresponde de outubro ao começo de abril - época de pastos bons.”
Outro erro apontado pelo professor é o fato dos pecuaristas manterem o pasto alto durante o verão por medo de faltar forragem para o inverno. Ao fazer isso, quando começa o chamado período das águas ainda há resíduos de pastagem alta no campo, mas é exatamente este resíduo que atrasa em cerca de dois meses o início da rebrota.
“O ideal é remanejar essas pastagens em condições de ter a rebrota logo início das águas, ou seja, a partir de outubro ou novembro. Também existem casos opostos a esse, em que o pecuarista deixa o pasto raspado demais, e isso não é bom. O planejamento é fundamental para que o pecuarista tire o melhor proveito em resultados durante o verão.”
O professor Moacyr Corsi também ensinou durante sua palestra na Expotécnica que o pasto deve permanecer limpo de 45 a até 60 dias após a semeadura. Isso significa que a época ideal para a aplicação do herbicida na pastagem é, no máximo, na terceira semana após o processo de semeadura ter sido concluído, para que a área fique livre de ervas daninhas e plantas invasoras.
“Se o pecuarista não seguir essas regras e aplicar o herbicida após quatro semanas, por exemplo, o produto não fará nenhum efeito.”
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Ovinos
Um ciclo de palestras sobre ovinos finalizou anteontem a sexta edição da Grand Expotécnica. O evento teve recorde de inscrições: 2.028 pessoas vindas de seis Estados para assistir ao total de oito palestras. Segundo um dos organizadores do evento, Maurício Lima Verde, o Sebrae e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) investiram R$ 52 mil na Expotécnica neste ano.
Na manhã da última quinta-feira, o médico veterinário Felipe Ferreira Lima, secretário adjunto da Agricultura do Estado da Paraíba, abriu o evento sobre “A raça santa inês do mercado de carne ovina”.
Na seqüência, o médico veterinário Alberto Uemi, consultor técnico de gêneros alimentícios de origem animal conversou sobre “Cortes e apresentação da carne ovina”.
Na agenda vespertina, o professor doutor de ovinocultura e etiologia Edson Ramos de Siqueira, vice-diretor da faculdade de medicina veterinária e zootecnia da Unesp de Botucatu, iniciou os trabalhos enfocando a “Produção de cordeiros”. Em seguida, o zootecnista e criador Francisco Fernandes discutiu a ‘Terminação de cordeiros”.
Em maio de 2004 será realizada outra edição da Expotécnica.