Se fosse feita uma lista das maiores necessidades da população que vive na periferia da cidade, saúde e educação estariam encabeçando as preferências. A estimativa é de pessoas ligadas a organizações não-governamentais (ongs) que trabalham com projetos sociais nos bairros menos abastados da cidade.
A coordenadora do Projeto Girassol, Lúcia Helena Turini, destaca que os usuários do programa reclamam muito da falta de acesso a tratamentos médicos e cuidados básicos com a saúde. “Uma funcionária nossa, por exemplo, está tentando realizar, desde junho, um exame para detectar um problema cardíaco e, até agora, não conseguiu”, salienta.
No outro extremo da cidade, no bairro Ferradura Mirim, mudam as ruas, as famílias, mas o problema é o mesmo: falta de assistência médica. A presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Gisele Moretti, destaca que não existe uma unidade básica no bairro e a população tem de recorrer ao posto do Jardim Redentor, que atende uma demanda grande de usuários. “Se tivéssemos o programa Médico de Família no bairro as coisas ficariam mais fáceis”, salienta.
Outra carência detectada nessas áreas é com relação à educação. Apesar de haver escolas, não há um incentivo para que a criança se desenvolva nesse setor. “Eu fiquei mais de três horas na fila para fazer a rematrícula do meu filho. É muito complicado estudar por aqui”, destaca Silmara Aparecida Bento, moradora do Ferradura Mirim.
Para Turini, há uma boa quantidade de escolas nos bairros, mas está faltando apostar em qualidade. “Nós oferecemos complementação escolar e percebemos que tem criança cursando a 6.ª série e que ainda não sabe ler”, destaca.
O Projeto Girassol, que é coordenado por ela e ligado ao Centro Espírita Amor e Caridade, tem o seu foco voltado para a criança. “Quanto mais cedo investirmos no ser humano, maior será o resultado”, frisa.
Estatuto do idoso
Por outro lado, o município precisa também dar atenção redobrada às pessoas da terceira idade.
A presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, Egli Muniz, que assumiu a entidade no último dia 6 de outubro, ressalta que a cidade oferece poucos recursos para o idoso carente. Ela lembra ainda que, de acordo com pesquisas realizadas pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), o número de pessoas com mais de 65 anos está crescendo na cidade. “A gente nota que a população está envelhecendo e não temos uma estrutura para atendê-la de forma adequada”, diz.
Ela lembra que, com a inserção da mulher no mercado de trabalho, as famílias já não têm mais como cuidar de seus idosos, dando a assistência que eles necessitam.
Uma das reivindicações do Conselho junto à prefeitura é a criação de Centros de Convivência para as pessoas com mais de 65 anos em situação de pobreza. Eles deveriam funcionar em período integral (das 8h às 18h), localizados próximo aos Núcleos de Apoio Sócio Familiar (NAFs).
Com a aprovação do Estatuto do Idoso pelo Congresso Nacional, no último dia 23 de setembro, a situação tende a melhorar no próximo ano, quando a lei estiver em vigor.
De acordo com a secretária municipal do Bem-Estar Social, Darlene Martin Tendolo, a legislação vai funcionar de maneira semelhante ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Ele oferece uma garantia da dignidade humana, respaldada pela lei, muito parecida com o que hoje se aplica no ECA”, frisa.
Com isso, ela acredita que os programas existentes hoje em Bauru, voltados para o atendimento ao idoso, sejam respaldados e se fortaleçam. “Agora nós teremos um parâmetro para lidar com essa questão”, ressalta.
Uma das mudanças mais significativas do Estatudo se refere à idade para o idoso ter direito à pensão de um salário mínino: ela baixou dos 67 para os 65 anos, o que aumenta o número de pessoas com direito ao benefício.