O que me deixa muito feliz é a conduta vivida pelo padre Marcelo Rossi, pois ele não quer inovar e sim restaurar a igreja de Jesus. Padre Marcelo, que já sofreu várias perseguições, até agora não feriu nenhum dogma da fé católica. Muito pelo contrário! Todas as vezes que está na mídia (o que não é raro) não fala de si próprio, dificilmente usa o “eu”, mas sim aponta para o essencial que é Deus. “(...) porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (Lucas 6, 45b). Padre Marcelo é uma fonte de carisma e realmente entende que na Bíblia carisma significa “dons de serviço”; dons que nos são concedidos por Deus para favorecer os outros e não a nós próprios. Ele, sim, poderia usar o sacerdócio como um “trampolim” para ascensão própria. Mas, como João Batista, ele quer que Jesus cresça no meio de nós e que ele diminua. Esses dias, ele foi entrevistado mais uma vez no programa do Jô e, como sempre, lá estava ele com seu clérgimam e falando de Jesus e Maria. É bonito ver um padre usando fielmente seu clérgimam; o faz lembrar seu compromisso com Deus e conosco. Restaura a identidade litúrgica. Na liturgia da Igreja Católica todo simbolismo quer nos remeter ao invisível. Um sacerdote deve ser facilmente distingüido pois é um homem ungido cujas mãos e a voz transubstanciam o pão em Carne e o vinho em Sangue. Na Grécia antiga aquele que fazia uma grande obra em favor do povo era chamado: leiturgo. Daí vem liturgia; colocamos em um termo (palavra) um conteúdo profundo. A liturgia celebra a grande obra que Deus fez por nós: enviou seu filho para nossa salvação. Um sacerdote que mantém na “aparência” uma postura de fidelidade eclesiástica, sabe que assim fica “menos difícil” manter a alma e as intenções voltadas aos outros e não a si próprio.
O filme “Maria Mãe do Filho de Deus” é um verdadeiro espetáculo que nós católicos não podemos deixar de ver. Já duas vezes assisti ao filme entre lágrimas. Contém cenas tiradas dos evangelhos apócrifos (não canônicos), que frisaram ainda mais em meu âmago que Maria foi e é verdadeiramente a “desaparecida”, aquela que sempre viveu para seu Deus; tanto que Ele quis se encarnar através dela e Jesus é Filho de Deus mas, geneticamente, recebeu o DNA de Maria de Nazaré. Isso não se pode negar! Que bom!!! No filme, vemos ainda mais a grandeza, a fortaleza silenciosa da intercessora, Mãe de Jesus. Maria deve ser para todos nós e principalmente para os sacerdotes, o modelo de “um vidro extremamente limpo e transparente que através dele vejamos unicamente Jesus” (frei Ignácio Larrañaga).
Creio ser esse o motivo pelo qual amo imensamente os sacerdotes marianistas como: padre Jesus Bringas Trueba, padre Francisco, padre Boaventura, padre Ângelo... são torrentes de conhecimento, mas assim como as árvores “eles crescem em silêncio”! Ao exemplo da Virgem Maria, “desaparecem” para que só Jesus Cristo ecoe em nossos corações. São grandes sábios e como verdadeiros sábios, sabem que cada vez sabem menos e ainda há muito a saber. “Porquanto, cada árvore se conhece pelo seu fruto” (Lucas 6, 44). Eu sei, padre Marcelo não é da congregação dos marianistas; mas ele segue o “evangelho de Maria”. A última palavra da Mãe de Jesus nos evangelhos é: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2, 5). A Virgem Mãe nos ensina a olhar unicamente Jesus e estar atento aos outros. Nos ensina a nos despersonalizarmos para que Jesus se personalize em nós. “Nenhum servo pode servir a dois senhores” (Lucas 16, 13); dessa maneira, temos de ir “desaparecendo” aos nossos próprios olhos para sermos firmes no cumprimento evangélico. Católicos lotem os cinemas!!! É hora de mostrarmos nossa convicção na igreja fundada por Jesus Cristo e nosso amor pela Virgem intercessora. “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis” (Lucas 7, 15-16). (Damaris Ribeiro Silva - RG 30.833.020-1)