É bem possível que você conheça pelo menos um deles, se é que não faz parte do grupo. Do Palácio do Planalto à esquina mais próxima, os Silva estão em todos os lugares (ou pelo menos passam essa impressão). O nome não é o mais comum no País (existem mais Santos e Souza por aí) mas, com certeza, é o que melhor expressa o sentimento de brasilidade.
É só parar para pensar: se tivesse que dar um nome para um brasileiro comum, que qualquer região, qual escolheria? Muito provalmente, José da Silva seria a primeira opção, justificando a genial definição de Millôr Fernandes: “Silva é o anonimato assinado”. Mas os Silva não representam apenas o homem comum.
A mostra “Brasil da Silva”, que fica até o dia 23 de novembro no Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru apresenta alguns dos Silvas ilustres destacados pelo traço dos caricaturistas Loredano, Jal, Carlinhos, Júnior Lopes, Carneiro e Carvall. São 29 painéis colocados na área de convivência do clube que vêm acompanhados de uma rápida aula (em quadros introdutórios) sobre “Silvalogia” muito interessante mesmo para quem não é Silva.
Lá estão retratados, em diferentes estilos, esportistas como o piloto Ayrton Senna e os jogadores de futebol Roberto Carlos e Leônidas; artistas como Dolores Duran, Emilinha Borba e Fernanda Montenegro; e políticos - entre eles cinco presidentes - como Jânio Quadros e Epitácio Pessoa, além de Lula. Existem ainda figuras históricas na seleção, como Tiradentes, Lampião, o Duque de Caxias e o Marechal Rondon. Todos eles têm Silva no nome.
Além da questão histórica e da curiosa união de figuras tão distintas - quem imaginaria a pintora Djanira na mesma lista do presidente do AI-5, Artur da Costa e Silva? - a mostra é um belo exemplo da arte da caricatura em todas as suas possibilidades.
O veterano Loredano (por acaso também é Silva), por exemplo, opta pelo traço simples que destaca uma característica física marcante. Já Carvall, cartunista da Folha e ex-aluno de Ziraldo, usa o computador para brincar com formas geométricas que desenham as pessoas. Luiz Carneiro traz uma pitada de crítica que vai além da fisionomia dos ilustrados. Enfim, assim como no caso dos Silva, a variedade é o elemento enriquecedor do conjunto.