08 de julho de 2026
Geral

Hemodiálise atrasa e gera reclamações

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A unidade de hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru, fechada desde o início de outubro, ainda não tem data definida para voltar a funcionar. A direção do hospital chegou a divulgar que a retomada dos trabalhos seria feita na semana passada, mas até agora não houve a liberação por parte dos centros de Vigilância Epidemiológica e Sanitária, órgãos da Secretaria de Estado da Saúde. Indefinição gera reclamações entre pacientes.

O HB suspendeu os serviços de diálise depois que pacientes passaram a reclamar de mal-estar durante as sessões. Os 105 renais crônicos que utilizam a unidade estão viajando para cidades da região para continuar o tratamento.

O dirigente da Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, acredita que o impasse quanto à reabertura poderá ser solucionado hoje, durante um encontro em São Paulo. “Nossa equipe de Vigilância Epidemiológica e Sanitária está indo se reunir com o pessoal de lá e chegar, espero, ao ponto final”, diz.

Ele não arrisca, porém, estimar um prazo para que os pacientes da unidade possam retomar a diálise no município. “Mas vamos tentar voltar com essa definição. Essa reunião é para uma avaliação do processo todo e conclusiva do ponto de vista de fazer uma programação para a reabertura”, diz.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informa que a liberação dos serviços depende da conclusão da análise da água coletada no hospital, analisada pelo Instituto Adolfo Lutz, e da emissão de laudos técnicos da Vigilância Epidemiológica e Sanitária.

A direção do HB determinou a troca da tubulação de água e de peças e filtros da unidade de hemodiálise depois que a equipe técnica que investigava as causas dos problemas apontados pelos pacientes encontrou bactérias em canos da rede, nos pontos em que o produto permanecia parado.

Preocupação

A indefinição quanto à reabertura da unidade de hemodiálise do HB também causa preocupação a um dos pacientes, que pediu para não ter o nome revelado. “Você pergunta sobre os prazos e eles nem olham na sua cara. Como vamos resolver a vida da gente? Já não tenho mais nem forças para ir trabalhar”, declara.

Ele tem viajado três vezes por semana para realizar o tratamento em outra cidade e reclama das condições de transporte. “O tipo de condução que colocam para a gente não é o adequado, porque são microônibus escolares. Na ida, tudo bem, mas depois de quatro horas de hemodiálise ter que enfrentar a viagem de volta é complicado”, diz.

Outro paciente do HB, que também pediu para não ser identificado, afirma ter ficado surpreso com o atraso para a retomada das diálises em Bauru. “Nós estávamos esperando que fosse retornar na semana passada, mas por enquanto continuamos fazendo as viagens”, relata.

Ele diz que a demora para a liberação do tratamento em Bauru acaba gerando desconfiança. “Vai que a gente volta e o problema não foi solucionado”, argumenta.

A preocupação é compartilhada por outra paciente, que conversou com a reportagem com a condição do anonimato. “A gente fica com certa apreensão. Os pacientes são os últimos a receber informações”, declara.

O presidente da Associação Bauruense de Apoio ao Renal Crônico (Abrec), Nelson Rosa, afirma que a entidade tem recebido queixas dos pacientes. “Eles têm reclamado do cansaço da viagem, porque são bem debilitados e isso causa um transtorno”, diz.

Ele afirma que vai solicitar à direção do hospital informações mais concretas sobre a reabertura da unidade. “Pretendo verificar se existe uma previsão definitiva, porque a situação está complicada para os pacientes. Temos o interesse que ela volte a funcionar imediatamente”, defende.

A reportagem procurou o administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade mantenedora do HB, José Cardoso Neto, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto.

____________________

Investigação

O delegado do 3º Distrito Policial (DP) de Bauru, Marcelo Haddad, afirma que a conclusão do inquérito instaurado para apurar a morte de quatro pacientes da unidade de hemodiálise do Hospital de Base (HB) desde o final de setembro, quando a central apresentava suspeita de contaminação da água, depende da entrega das fichas clínicas e de laudos que foram solicitados à direção do hospital.

Segundo ele, os documentos serão encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) e confrontados, para apurar se o resultado da análise da água pode ter alguma relação com a causa das mortes.

O delegado revela que já terminou a fase de depoimentos. “Ouvimos os parentes dos pacientes e o representante da unidade de hemodiálise”, diz.

Já o promotor da Cidadania e de Proteção ao Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, afirma que recebeu um ofício da direção do hospital com esclarecimentos sobre o procedimento adotado pelo HB para continuar atendendo aos pacientes enquanto a unidade estiver fechada. Ele estava preocupado com as conseqüências que a interrupção da diálise em Bauru pudesse causar.