08 de julho de 2026
Regional

Jovem é assassinado em Pederneiras

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras – O adolescente Claudecir da Silva, 17 anos, foi assassinado a tiros no final da tarde de anteontem em Pederneiras (30 quilômetros a Leste de Bauru). Esse é o quarto homicídio do ano no município, de cerca de 40 mil habitantes. O resultado representa o dobro do total registrado durante 2002.

Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na rua Antônio Dela Coleta, no bairro Pederneiras 5, em frente à residência da vítima. Dois homens teriam chegado no local em uma motocicleta verde e, após uma breve conversa com Silva, teriam efetuado os disparos.

No momento da abordagem, a vítima estava com uma testemunha, cujo nome está sendo preservado pela polícia para evitar represálias.

De acordo com o delegado-adjunto de Pederneiras, Eduardo Samuel Sganzela, depois do crime, os autores teriam invadido uma residência próxima ao local, à procura de dois amigos da vítima, que também estariam jurados de morte. “Além do Claudecir eles queriam matar mais duas pessoas. Acho que só não ocorreu um triplo homicídio porque os outros amigos não foram encontrados”, afirma.

A dupla fugiu antes da chegada dos policiais, tomando rumo ignorado. Até ontem à noite, os suspeitos não haviam sido localizados.

Após os disparos, populares acionaram o socorro, mas a vítima foi encontrada morta no local. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e submetido à necropsia.

Até o fechamento desta edição, a polícia não tinha o resultado do laudo, que deve apontar quantos projéteis atingiram o rapaz. Testemunhas teriam relatado o disparo de cinco tiros.

Um inquérito foi instaurado para apurar o caso. Ontem à tarde, a polícia já tinha o nome dos suspeitos. Segundo o delegado, eles seriam moradores do bairro Cidade Nova, teriam passagem pela polícia e envolvimento com tráfico de entorpecentes.

Além dos autores, segundo investigações preliminares da polícia, há informações de que outras duas pessoas teriam participado indiretamente no crime. Sganzela trabalha com a hipótese de acerto de dívidas ou vingança. “À princípio, pelo o que a gente apurou, esse rapaz (a vítima) estaria envolvido com droga”, afirma o delegado. A participação de Silva em uma briga ocorrida há alguns meses também pode ter desencadeado o assassinato, na opinião de Sganzela. O rapaz não tinha passagens pela polícia.

Medo

O delegado acredita que testemunhas e moradores do bairro tenham sido ameaçados pelos autores do crime. Duas pessoas, que foram procuradas pela polícia, não quiseram contar detalhes sobre o caso. “Uma testemunha falou que não poderia contar quem eram (os autores) por medo deles voltarem e matarem sua família”, afirma.

Segundo o delegado, a testemunha que estaria do lado da vítima no momento do crime também foi procurada para prestar depoimento. Entretanto, no momento da abordagem negou que tivesse presenciado o fato.

“A população está com medo de delatar e afirmar quem foi, está com medo de represálias”, conclui. Nos próximos dias, o delegado deve ouvir os familiares da vítima. O velório do rapaz foi realizado ontem à tarde na cidade.

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Mortes

Somente neste ano, a Polícia Civil de Pederneiras registrou um latrocínio e quatro homicídios - três deles ocorridos no mês passado. “Outubro foi um mês muito violento”, avalia o delegado Eduardo Samuel Sganzela.

Durante todo o ano de 2002, a polícia registrou dois homicídios. Somando o caso de anteontem, 2003 já apresenta o dobro das estatísticas. O delegado acredita que o possível aumento da atividade de tráfico no município estaria contribuindo para o crescimento dos índices de assassinato.

O diagnóstico, segundo Sganzela, tem sido motivo de preocupação para a Polícia Civil. Há dois meses, uma equipe da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) realizou uma diligência na cidade, com o objetivo de reprimir o tráfico de entorpecentes.