É inconteste que o desarmamento é uma medida útil, mas o problema é que sua execução não corresponde na prática, por não ser geral, atingindo justamente a parte mais inocente da população, senão vejamos: que espécies de pessoas serão desarmadas? O marginal? O intolerante “pavio curto” que anda armado? Os aficionados colecionadores de armas? Os que adquiriram arma por já terem sofrido as agruras inesquecíveis, causadas pela invasão do lar por bandidos? É evidente que o desarmamento só atinge o cidadão pacato que mantém uma arma bem guardada e esquecida em casa e que não fará questão em entregá-la, mas este jamais iria usá-la por motivo fútil, como mera ocorrência de trânsito, pois nem sequer a teria consigo. O mais grave é que o desarmamento limitado aos justos favorece muito os bandidos, de forma geral, incentivando e assegurando-lhes o êxito da ação criminosa.
Se as residências não gradeadas, sem cão, alarma ou vigia têm a preferência da sanha invasora, por serem as mais vulneráveis, como lhes acrescentar mais um fator vantajoso: moradores sem arma! Sabendo que a família está indefesa, só falta a audácia dos bandidos levá-los a agir por telefone: “Abram a porta se querem economizar a fechadura”.
A estratégia da vítima não reagir ao assalto, como regra geral mais conveniente, é válida, mas proibir o bom cidadão de manter uma arma em casa, impedindo-lhe de exercer o sagrado dever de se arriscar em defesa do lar, é como se aliar ao diabo por ser mais fácil que servir a Deus!
Outro ponto relevante é a valia da arma como reforço ao homem no desempenho de sua orgulhosa posição de defensor natural da mulher, quando ameaçado por forças desproporcionadas. Quantos acompanhantes noturnos da esposa, filha ou neta ao trabalho por trechos perigosos (em geral idosos aposentados por serem os mais disponíveis) se arriscam como protetores inferiorizados pelas “mãos limpas”, sem chance de evitar um estupro e o infortunado vexame de serem dominados até pela desvantagem física.
Um rigoroso critério na venda e concessão de porte de arma, incluindo curso de tiro de defesa (não confundir com tiro ao alvo), é uma coisa, enfraquecer a “caça”, garantindo sucesso ao “caçador” é outra!
O papel do acompanhante fica então reduzido a mero espectador? Que trunfo ao crime!
Hélio de Souza - RG 2.031.636