08 de julho de 2026
Articulistas

Tempos difíceis


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Nos últimos séculos os tempos tornaram-se difíceis para a humanidade. Mais que isso: dificílimos. E tudo aconteceu não por via de problemas isolados, porquanto eles se devem indubitavelmente à moderníssima máquina social que se instalou nos conjuntos administrativos públicos e deixou de funcionar a inteiro contento dos anseios populares. Note-se, por exemplo, o elevado custo de vida, debruçando sobre alimentos, remédios, roupas, aluguéis prediais e outras coisas de real importância para os povos. Mas não se pode debitar tudo somente a esses tipos de exigências das necessidades humanas, pois há os que recaem também em cima de muitas espécies de maior envergadura, que as populações sentem na carne, no cérebro e no bolso, constituídas pela gama de problemas reinantes no horizonte de todos os países, conforme citado acima, sobre cujas amarguras as reações dos povos são embaraçosas porque governadas por instituições oficiais inteiramente emperradas. Então há, evidentemente, os que enxergam e apontam as distorções e, por isso, protestam veementemente, gritando contra o desemprego, a miséria e outros atropelos, mas não são entendidos pelos ouvidos de mercadores dos executivos, legislativos e demais responsáveis por setores da longa jornada empreendida pelos países.

Não está o Brasil à margem do veículo rodante, cujas cremalheiras penetraram na esfera político-cultural e fecharam a retina dos seus gerenciadores, deixando-os sem condições de enxergar sequer palmos à frente e, conseqüentemente, vão abandonando as comunidades à pior sorte, perguntando-se por quanto tempo? Não é o correto, impondo-se aos mentores das nações repensar quantas vezes necessárias sobre a busca de uma visão bem clara dos verdadeiros valores humanos, não tentando encontrar riquezas em águas superficiais e sim, inabalavelmente, nas mais profundas. “Onde olhos superficiais descobrem fracassos e frustrações os olhos da razão vêem sempre uma semente de esperança” - menciona estudioso dos tempos como lição sábia e objetiva para quantos se apresentam tendo em vista comandar os povos. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.