Araraquara - Começou ontem, no Espaço Cultural Para Todos, em Araraquara (125 quilômetros a Nordeste de Bauru), o Fórum Social do Aqüífero Guarani - um movimento em defesa da maior reserva de água pura do mundo. A intenção do evento é alertar para a privatização das águas do aqüífero.
Devido à sua importância econômica, a reserva vem atraindo o interesse de diversos grupos, que têm conseguido autorização para explorar comercialmente suas águas.
Segundo a Organização Não-Governamental (ONG) Grito das Águas, entidade organizadora do evento, recentemente o Global Enviroment Facility (Fundo para o Meio Ambiente Global), que recebe contribuições dos países do G8 - os sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia - lançou um ambicioso projeto de mais de US$ 20 milhões para estudar e levantar informações sobre o Aqüífero Guarani.
A maior reserva de água pura do mundo está em quatro países da América do Sul: Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Segundo o coordenador geral da ONG, Leonardo Morelli, o aqüífero tem extraordinária importância econômica, pois possui águas puras, minerais e termais.
“A água e todos os recursos naturais nunca podem estar sob controle privado. Nesse sentido, declaramos nossa disposição de luta e mobilização contra todas as tentativas de privatização e exportação das águas em benefício da indústria e do comércio”, diz Moreli.
A escolha de Araraquara para a realização do Fórum, segundo ele, é pelo fato das águas do aqüífero, na região, estarem mais próximas da superfície e mais fáceis de serem exploradas.
“As grandes empresas sabem muito bem disto e estão aproveitando, comprando áreas e pedindo o direito de lavra para explorarem comercialmente suas águas minerais”, garante. Por outro lado, Moreli lembra que a falta de controle na superfície, poderá tornar o aqüífero inviável. O uso indiscriminado de agrotóxicos, a instalação de lixões e outros depósitos de dejetos urbanos, poderão contaminar as águas da reserva.
Estudos de centros de pesquisas estratégicas latino-americanas, como o World Wacht, que edita anualmente o relatório “O Estado do Mundo”, alertam para o fato de os Estados Unidos já estarem instalando bases militares em áreas capazes de controlar o acesso às águas (como nas províncias argentinas de Misiones e Entre Rios, onde os militares americanos realizam a operação “Águia Dois”).
Segundo o relatório, os países do Mercosul, com a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), terão a água transformada em mercadoria com valor meramente econômico.
O fórum vai reunir especialistas brasileiros, argentinos, bolivianos e uruguaios, representantes de instituições sociais, comunidades indígenas e políticos. Hoje, às 15h, o bispo dom Odilo Pedro Scherer, Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participa da “Mesa de Diálogos Ambientais sobre Água e Fraternidade”.