10 de julho de 2026
Articulistas

Governo participativo - ideal da oposição


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Quem está na oposição sempre defende o governo participativo. Quando a oposição assume o governo, repudia a idéia, que passa a ser defendida por aqueles que estavam no poder e passaram para a oposição. E não é incomum que aqueles que na oposição lutavam pela liberdade e igualdade, ao assumirem o governo se tornem mais prepotentes. Assim aconteceu na Revolução Francesa, onde os que lutaram em nome da liberdade, igualdade e fraternidade estabeleceram a época do terror, substituindo o cetro real pela guilhotina. Também na Rússia, os que lutaram pela igualdade criaram a ditadura do proletariado, mais dura que a dos czares. Caso ainda vivo é o de Fidel Castro, que manda os dissidentes para as prisões e fuzila os que querem deixar Cuba.

Os jornais e a televisão estão mostrando o que vem acontecendo com o governo do PT, que procura tapar a boca daqueles que continuam defendendo o que defendiam quando estavam na oposição. Fernando Gabeira deixou o partido e ao pretender um diálogo com o ministro José Dirceu ficou sentadinho na poltrona como quem fica na sala de espera do SUS ou do INSS. Em São Paulo está sendo negada a participação em prévia para candidatura a prefeito por Plínio de Arruda Sampaio Júnior. O presidente Lula tem tomado decisões importantes com o seu pequeno grupo de conselheiros, deixando de lado os ministros diretamente envolvidos no assunto.

Esse fato também se observa no governo das empresas e de outras organizações. Funcionários, que em posições subalternas contestam a administração e reclamam por participação nas decisões, quando ascendem a posições de mando tornam-se ainda mais centralizadores e quando acenam com alguma oportunidade de participação é apenas para salvar aparências, pois as decisões já foram tomadas. Os sindicatos, que por natureza são defensores da participação, geralmente possuem uma diretoria autocrática em relação aos seus funcionários. A explicação para esses fatos talvez seja o medo de perder autoridade, porque para realizar um governo participativo sem perder o controle, sem deixar que vire uma anarquia, é preciso ter uma liderança que a todos envolva e cative, de sorte a conseguir apoio dos liderados. Mas como isso tem sido um ideal raramente alcançado, a melhor escolha é endurecer ou como disse um dirigente de zoológico: “Não vou deixar que os macacos mandem no zoológico.”

Gifford e Elizabeth Pinchot, no prefácio de seu livro “O Poder das Pessoas”, dizem: “As grandes empresas e outros grandes empregadores estão entre os últimos bastiões da ditadura. Dentro das organizações mais burocráticas, a vida profissional lembra mais um Estado totalitário do que uma nação livre. A liberdade de expressão é tolhida pelo chefe. Os chefes têm o direito de ditar aos empregados onde trabalhar e o que fazer. O progresso na carreira depende de se agradar e de não se ameaçar o chefe. A iniciativa significa pedir permissão para fazer algo de forma diferente.”

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é administrador e ex-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru.