09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Filhos de falsas promessas


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No meu sangue há vestígios de muitos países: sangue de branco, negro, índio... mas todos são infelizes! Cada gota do meu sangue é como o suor do pobre trabalhador; suor do corpo do negro que sofreu na escravidão; cada gota do meu sangue é como uma lágrima de um povo faminto de comida, saúde e educação.

O meu e o seu coração sangram todos os dias; crianças são maltratadas, trabalham como escravas, e suas barrigas estão vazias. As almas destas crianças sangram pedindo ajuda; políticos viram as costas, esquecem de suas promessas falsas e imundas.

Com as panelas vazias e tristeza no olhar, usam o que resta de suas forças para mendigar; pedem, se humilham, mas não conseguem se alimentar. São culpados os que prometeram e não cumpriram; alguns homens de terno e gravata; são muitos os lares que destruíram; com Deus acertarão as contas na hora exata.

Enquanto isso, sem verem saída, muitas destas crianças mergulham no mundo da morte, o mundo da criminalidade; não é oferecido a elas dinheiro suficiente para viver com dignidade. Mas com o pouco dinheiro, elas podem comer, e assim seguem um caminho sem volta, e depois vem a prisão. Estes são frutos de falsas promessas, crianças amarguradas, envelhecidas pelo sofrimento e descaso de uma Nação.

Governos que geram bandidos; meninos que um dia sonharam ter uma vida diferente; olhem nos olhos dos seus filhos, e pensem nestes seres inocentes. O desamor cria novos bandidos; filhos da hipocrisia; a violência nas prisões só faz com que pensem em roubar quando forem novamente livres um dia.

O povo precisa de comida e de educação! Mas também precisamos recuperar os criminosos que um dia foram crianças, mostrando a eles que o amor é a melhor solução. Se estas crianças conhecerem a felicidade, nós todos ficaremos mais tranqüilos com nossos filhos andando pelas cidades.

Cumpram suas promessas; chega de sofrimento! Os brasileiros vivem com medo, mesmo dentro de suas casas, eles vivem um tormento.

Iza Costa - escritora e poetisa - RG 09692140